{"id":10607,"date":"2019-04-28T11:04:32","date_gmt":"2019-04-28T14:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=10607"},"modified":"2019-04-27T18:08:53","modified_gmt":"2019-04-27T21:08:53","slug":"coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/04\/28\/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu\/","title":{"rendered":"\u201cCoquetel\u201d com 27 agrot\u00f3xicos foi achado na \u00e1gua de 1 em cada 4 munic\u00edpios \u2013 consulte o seu"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ana Aranha <\/strong>&#8211; S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e outras 1.300 cidades acharam agrot\u00f3xicos na rede de abastecimento. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revelam que a \u00e1gua do brasileiro est\u00e1 contaminada com subst\u00e2ncias que podem causar doen\u00e7as graves.<\/p>\n<p>Um coquetel que mistura diferentes agrot\u00f3xicos foi encontrado na \u00e1gua de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse per\u00edodo, as empresas de abastecimento de 1.396 munic\u00edpios detectaram todos os 27 pesticidas que s\u00e3o obrigados por lei a testar. Desses, 16 s\u00e3o classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente t\u00f3xicos e 11 est\u00e3o associados ao desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como c\u00e2ncer, malforma\u00e7\u00e3o fetal, disfun\u00e7\u00f5es hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contamina\u00e7\u00e3o m\u00faltipla est\u00e3o as capitais S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiab\u00e1, Florian\u00f3polis e Palmas.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e foram obtidos e tratados em investiga\u00e7\u00e3o conjunta da\u00a0<em>Rep\u00f3rter Brasil<\/em>,\u00a0<strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>\u00a0e a organiza\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a\u00a0<em>Public Eye<\/em>. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Vigil\u00e2ncia da Qualidade da \u00c1gua para Consumo Humano (Sisagua), que re\u00fane os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros revelam que a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua est\u00e1 aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrot\u00f3xicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar dif\u00edcil encontrar \u00e1gua sem agrot\u00f3xico nas torneiras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Embora se trate de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os testes n\u00e3o s\u00e3o divulgados de forma compreens\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d\u2019\u00e1gua. Em um esfor\u00e7o conjunto, a\u00a0<em>Rep\u00f3rter Brasil<\/em>, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>\u00a0e a organiza\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrot\u00f3xicos encontrados em cada cidade. O mapa revela ainda quais est\u00e3o acima do limite de seguran\u00e7a de acordo com a lei do Brasil e pela regula\u00e7\u00e3o europeia, onde fica a Public Eye.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/portrasdoalimento.info\/agrotoxico-na-agua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-agrotoxicosmapa-mobileversion.png?resize=750%2C910&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-agrotoxicosmapa-mobileversion.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/01-agrotoxicosmapa-mobileversion.png?resize=495%2C600&amp;ssl=1 495w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"910\" \/><\/a><\/p>\n<p>O retrato nacional da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua gerou alarde entre profissionais da sa\u00fade. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a toxicologista e m\u00e9dica do trabalho Virginia Dapper. O tom foi o mesmo na rea\u00e7\u00e3o da pesquisadora em sa\u00fade p\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, Aline Gurgel: \u201cdados alarmantes, representam s\u00e9rio risco para a sa\u00fade humana\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/portrasdoalimento.info\/2019\/04\/12\/conheca-os-27-agrotoxicos-encontrados-na-agua-que-abastasse-as-cidades-do-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Entre os agrot\u00f3xicos encontrados<\/a>\u00a0em mais de 80% dos testes, h\u00e1 cinco classificados como\u00a0<a href=\"http:\/\/npic.orst.edu\/chemicals_evaluated.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cprov\u00e1veis cancer\u00edgenos\u201d pela Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos<\/a>\u00a0e seis apontados pela Uni\u00e3o Europeia\u00a0<a href=\"http:\/\/ec.europa.eu\/environment\/archives\/docum\/pdf\/bkh_annex_15.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como causadores de disfun\u00e7\u00f5es end\u00f3crinas<\/a>, o que gera diversos problemas \u00e0 sa\u00fade, como a puberdade precoce. Do total de 27 pesticidas na \u00e1gua dos brasileiros, 21 est\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia devido aos riscos que oferecem \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n<p>A falta de monitoramento tamb\u00e9m \u00e9 um problema grave. Dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, 2.931 n\u00e3o realizaram testes na sua \u00e1gua entre 2014 e 2017.<\/p>\n<p><strong>Coquetel t\u00f3xico<\/strong><\/p>\n<p>A mistura entre os diversas qu\u00edmicos foi um dos pontos que mais gerou preocupa\u00e7\u00e3o entre os especialistas ouvidos. O perigo \u00e9 que a combina\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias multiplique ou at\u00e9 mesmo gere novos efeitos. Essas rea\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram demonstradas em testes, afirma a qu\u00edmica Cassiana Montagner. \u201cMesmo que um agrot\u00f3xico n\u00e3o tenha efeito sobre a sa\u00fade humana, ele pode ter quando mistura com outra subst\u00e2ncia\u201d, explica Montagner, que pesquisa a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de S\u00e3o Paulo. \u201cA mistura \u00e9 uma das nossas principais preocupa\u00e7\u00f5es com os agrot\u00f3xicos na \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Os paulistas foram os que mais beberam esse coquetel nos \u00faltimos anos. O estado foi recordista em n\u00famero de munic\u00edpios onde todos os 27 agrot\u00f3xicos estavam na \u00e1gua. S\u00e3o mais de 500 cidades, incluindo a grande S\u00e3o Paulo \u2013 Guarulhos, S\u00e3o Bernardo do Campo, Santo Andr\u00e9 e Osasco \u2013 al\u00e9m da pr\u00f3pria capital. E algumas das mais populosas, como Campinas, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, Ribeir\u00e3o Preto e Sorocaba. O Paran\u00e1 foi o segundo colocado, com coquetel presente em 326 cidades, seguido por Santa Catarina e Tocantins.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-coquetel-mobile.png?resize=750%2C810&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-coquetel-mobile.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-coquetel-mobile.png?resize=556%2C600&amp;ssl=1 556w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"810\" \/><\/p>\n<p>Os especialistas falam muito sobre a \u201cinvisibilidade\u201d do efeito coquetel. As pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o monitoram a intera\u00e7\u00e3o entre as subst\u00e2ncias porque os estudos que embasam essas pol\u00edticas n\u00e3o apontam os riscos desse fen\u00f4meno. \u201cOs agentes qu\u00edmicos s\u00e3o avaliados isoladamente, em laborat\u00f3rio, e ignoram os efeitos das misturas que ocorrem na vida real\u201d, diz a m\u00e9dica e toxicologista Dapper.<\/p>\n<p>Por isso, ela lamenta, as pessoas que j\u00e1 est\u00e3o desenvolvendo doen\u00e7as em decorr\u00eancia dessa m\u00faltipla contamina\u00e7\u00e3o provavelmente nunca saber\u00e3o a origem da sua enfermidade. Nem os seus m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Questionado sobre quais medidas est\u00e3o sendo tomadas, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-do-ministerio-da-saude.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">enviou respostas por email<\/a>\u00a0refor\u00e7ando que \u201ca exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos \u00e9 considerada grave problema de sa\u00fade p\u00fablica\u201d e listando efeitos nocivos que podem gerar \u201cpuberdade precoce, aleitamento alterado, diminui\u00e7\u00e3o da fertilidade feminina e na qualidade do s\u00eamen; al\u00e9m de alergias, dist\u00farbios gastrintestinais, respirat\u00f3rios, end\u00f3crinos, neurol\u00f3gicos e neoplasias\u201d (<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-do-ministerio-da-saude.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia a \u00edntegra das respostas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>).<\/p>\n<p>A resposta, por\u00e9m, ressalta que a\u00e7\u00f5es de controle e preven\u00e7\u00e3o s\u00f3 podem ser tomadas quando o resultado do teste ultrapassa o m\u00e1ximo permitido em lei. E a\u00ed est\u00e1 o problema: o Brasil n\u00e3o tem um limite fixado para regular a mistura de subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das reivindica\u00e7\u00f5es dos grupos que pedem uma regula\u00e7\u00e3o mais r\u00edgida para os agrot\u00f3xicos. \u201c\u00c9 um absurdo esse problema ficar invis\u00edvel no monitoramento da \u00e1gua e n\u00e3o haver a\u00e7\u00f5es para control\u00e1-lo\u201d, afirma Leonardo Melgarejo, engenheiro de produ\u00e7\u00e3o e membro da Campanha Nacional Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida \u201cSe detectar diversos agrot\u00f3xicos, mas cada um abaixo do seu limite individual, a \u00e1gua ser\u00e1 considerada pot\u00e1vel no Brasil. Mas a mesma \u00e1gua seria proibida na Fran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Ele se refere \u00e0 regra da Uni\u00e3o Europeia que busca restringir a mistura de subst\u00e2ncias: o m\u00e1ximo permitido \u00e9 de 0,5 microgramas em cada litro de \u00e1gua \u2013 somando todos os agrot\u00f3xicos encontrados. No Brasil, h\u00e1 apenas limites individuais. Assim, somando todos os limites permitidos para cada um dos agrot\u00f3xicos monitorados, a mistura de subst\u00e2ncias na nossa \u00e1gua pode chegar a 1.353 microgramas por litro sem soar nenhum alarme. O valor equivale a 2.706 vezes o limite europeu.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-fotoshutterstock.jpg?resize=1000%2C667&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-fotoshutterstock.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-fotoshutterstock.jpg?resize=800%2C534&amp;ssl=1 800w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p><strong>O risco das pequenas quantidades<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo quando se olha a contamina\u00e7\u00e3o de cada agrot\u00f3xico isoladamente, o quadro preocupa. Dos 27 agrot\u00f3xicos monitorados, 20 s\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pan-germany.org\/download\/PAN_HHP_List.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">listados como altamente perigosos pela Pesticide Action Network<\/a>, grupo que re\u00fane centenas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que trabalham para monitorar os efeitos dos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Mas, aos olhos da lei brasileira, o problema \u00e9 pequeno. Apenas 0,3% de todos os casos detectados de 2014 a 2017 ultrapassaram o n\u00edvel considerado seguro para cada subst\u00e2ncia. Mesmo considerando os casos em que se monitora dez agrot\u00f3xicos proibidos no Brasil, s\u00e3o poucas as situa\u00e7\u00f5es em que a presen\u00e7a deles na \u00e1gua soa o alarme.<\/p>\n<p>E esse \u00e9 o segundo alerta feito por parte dos pesquisadores: os limites individuais seriam permissivos. \u201cEssa legisla\u00e7\u00e3o est\u00e1 h\u00e1 mais de 10 anos sem revis\u00e3o, \u00e9 muito atraso do ponto de vista cient\u00edfico\u201d afirma a qu\u00edmica Montagner. \u201c\u00c9 como usar uma TV antiga, pequena e preto e branco, quando voc\u00ea pode ter acesso a uma HD de alta defini\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ela se refere a pesquisas mais recentes sobre os riscos do consumo frequente e em quantidades menores, um tipo de contamina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o gera rea\u00e7\u00f5es imediatas. \u201cTalvez certo agrot\u00f3xico na \u00e1gua n\u00e3o leve 15% da cidade para o hospital no mesmo dia. Mas o consumo cont\u00ednuo gera efeitos cr\u00f4nicos ainda mais graves, como c\u00e2ncer, problemas na tireoide, hormonal ou neurol\u00f3gico\u201d, alerta Montagner. \u201cJ\u00e1 temos evid\u00eancias cient\u00edficas, mas a \u00e1gua contaminada continua sendo considerada como pot\u00e1vel porque n\u00e3o se olha as quantidades menores\u201d, afirma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-continuamente-mobile.png?resize=750%2C550&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"550\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p>Em resposta a essa cr\u00edtica, um grupo de trabalho foi criado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para rever os limites da contamina\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos fazendo um trabalho criterioso\u201d, afirma Ellen Pritsch, engenheira qu\u00edmica e representante da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental no grupo. Segundo ela, pesquisas internacionais e regula\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses est\u00e3o sendo levados em conta. Criado em 2014, a previs\u00e3o \u00e9 que os trabalhos sejam conclu\u00eddos em setembro.<\/p>\n<p>Pelo menos 144 cidades detectaram o mesmo pesticida de modo cont\u00ednuo durante os quatro anos de medi\u00e7\u00f5es seguidos, segundo os dados. Mais uma vez, S\u00e3o Paulo \u00e9 o recordista desse fen\u00f4meno de intoxica\u00e7\u00e3o. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam o uso de pesticidas na produ\u00e7\u00e3o de cana de a\u00e7\u00facar como a prov\u00e1vel origem para a larga contamina\u00e7\u00e3o do estado. \u201cA cultura da cana \u00e9 a que tem mais herbicidas registrados. Como S\u00e3o Paulo \u00e9 um dos maiores produtores de cana, isso justifica sua presen\u00e7a elevada [de pesticidas na \u00e1gua]\u201d, afirma Kassio Mendes, coordenador do comit\u00ea de qualidade ambiental da Sociedade Brasileira da Ci\u00eancia das Plantas Daninhas.<\/p>\n<p>O diuron, um dos principais herbicidas usados pelo setor, foi detectado em todos\u00a0<a href=\"https:\/\/cetesb.sp.gov.br\/aguas-interiores\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2018\/06\/Relat%C3%B3rio-de-Qualidade-das-%C3%81guas-Interiores-no-Estado-de-S%C3%A3o-Paulo-2017.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">os testes feitos<\/a>\u00a0na \u00e1gua dos mananciais das regi\u00f5es onde mais se cultiva cana no estado, segundo dados de 2017 da Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb). A subst\u00e2ncia \u00e9 uma das apontadas como\u00a0<a href=\"http:\/\/npic.orst.edu\/chemicals_evaluated.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">prov\u00e1vel cancer\u00edgena pela Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos<\/a>.<\/p>\n<p><strong>De quem \u00e9 a responsabilidade?<\/strong><\/p>\n<p>Depois de contaminada, s\u00e3o poucos os tratamentos dispon\u00edveis para tirar o agrot\u00f3xico da \u00e1gua. \u201cAlguns filtros s\u00e3o capazes de tirar alguns tipos de agrot\u00f3xicos, mas n\u00e3o h\u00e1 um que d\u00ea conta de todos esses\u201d, afirma Melgarejo. \u201cA \u00e1gua mineral vem de outras fontes, mas que s\u00e3o alimentadas pela \u00e1gua que corre na superf\u00edcie, ent\u00e3o eventualmente tamb\u00e9m ser\u00e3o contaminadas\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho preventivo, ou seja, evitar que os agrot\u00f3xicos cheguem aos mananciais, deveria ser primordial, afirma Rubia Kuno, gerente da divis\u00e3o de toxicologia humana e sa\u00fade ambiental da Cetesb. \u201cO esfor\u00e7o deve ser na preven\u00e7\u00e3o porque o sistema de tratamento convencional n\u00e3o \u00e9 capaz de remover os agrot\u00f3xicos da \u00e1gua\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u00c9 grande o debate sobre a complexidade em se enfrentar o problema, mas \u00e9 dif\u00edcil encontrar quem est\u00e1 assumindo a responsabilidade.<\/p>\n<p>A reportagem procurou as secretarias do Meio Ambiente, Agricultura e Sa\u00fade e Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo (Sabesp) para entender quais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o tomadas no estado com o maior \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o. As respostas foram dadas pela Sabesp e pela assessoria do meio ambiente com informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o monitoramento. Nem as secretarias nem a empresa esclareceram o que est\u00e1 sendo feito para controlar ou prevenir o problema.\u00a0(Leia a \u00edntegra das respostas da\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-da-sabesp.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sabesp<\/a>\u00a0e da\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-da-secretaria-estadual-de-meio-ambiente.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Secretaria do Meio Ambiente<\/a>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-limite-seguranca-mobile-1.png?resize=750%2C770&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-limite-seguranca-mobile-1.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-limite-seguranca-mobile-1.png?resize=584%2C600&amp;ssl=1 584w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"770\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria dos munic\u00edpios e dos estados deve dar o alerta aos prestadores de servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua para que tomem as provid\u00eancias de melhoria no tratamento da \u00e1gua. \u201cCaso os dados demonstrem que o problema ocorre de forma sistem\u00e1tica, \u00e9 preciso buscar solu\u00e7\u00f5es a partir da articula\u00e7\u00e3o com os demais setores envolvidos, como \u00f3rg\u00e3os de meio ambiente, prestadores de servi\u00e7o e produtores rurais\u201d, diz a nota enviada pelo \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Questionado sobre quais a\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo tomadas, o Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), que representa os produtores de agrot\u00f3xicos, fez uma defesa sobre a seguran\u00e7a dos pesticidas. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-do-sindicato-nacional-da-industria-de-produtos-para-defesa-vegetal-sindiveg.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nota<\/a>, o grupo afirma que a avalia\u00e7\u00e3o feita pela Anvisa, Ibama e Minist\u00e9rio da Agricultura garante que eles s\u00e3o seguros ao trabalhador, popula\u00e7\u00e3o rural e ao meio ambiente \u201csempre que utilizados de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas aprovadas e indicadas em suas embalagens\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-do-sindicato-nacional-da-industria-de-produtos-para-defesa-vegetal-sindiveg.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O sindicato afirma que a aplica\u00e7\u00e3o correta dos produtos no campo \u00e9 um desafio e atribui a responsabilidade aos trabalhadores que aplicam os pesticidas<\/a>. \u201cO setor de defensivos agr\u00edcolas realiza iniciativas para garantir a aplica\u00e7\u00e3o correta de seus produtos, uma vez que alguns problemas estruturais da agricultura como a falta do h\u00e1bito da leitura de r\u00f3tulo e bula e analfabetismo no campo trazem um desafio adicional de cumprimento \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es de uso\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-aga-br-mobile1.png?resize=750%2C680&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-aga-br-mobile1.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-aga-br-mobile1.png?resize=662%2C600&amp;ssl=1 662w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"680\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre em outros pa\u00edses, no Brasil as empresas que produzem agrot\u00f3xicos n\u00e3o se envolvem com o monitoramento da \u00e1gua, que \u00e9 custeado pelos cofres p\u00fablicos e pelas empresas de abastecimento.<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, que est\u00e1 entre os tr\u00eas estados com maior contamina\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual chamou a responsabilidade de prefeituras, secretarias estaduais, concession\u00e1rias de \u00e1gua, ag\u00eancias reguladoras e sindicatos de produtores e trabalhadores rurais. A iniciativa partiu dos resultados de um estudo in\u00e9dito que encontrou agrot\u00f3xicos na \u00e1gua de 22 munic\u00edpios. \u201cAlertamos todos os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados envolvidos para buscar solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso aplicar medidas corretivas para diminuir os riscos dos cidad\u00e3os\u201d, diz a promotora Greicia Malheiros, respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o. A iniciativa teve in\u00edcio em mar\u00e7o desse ano e ainda n\u00e3o tem resultados.<\/p>\n<p>Mais do que remediar a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a coordenadora t\u00e9cnica do estudo, a engenheira qu\u00edmica Sonia Corina Hess, defende a proibi\u00e7\u00e3o do uso dos pesticidas que oferecem maior risco. Das subst\u00e2ncias encontradas em seu estudo no estado catarinense, sete est\u00e3o proibidas na Uni\u00e3o Europeia por oferecer risco \u00e0 sa\u00fade humana. \u201cTem que proibir o que \u00e9 proibido l\u00e1 fora, tem que proibir o que \u00e9 perigoso. Se faz mal para eles porque no Brasil \u00e9 permitido?\u201d, questiona.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/1-fotoshutterstock.jpg?resize=800%2C450&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p><strong>Perigoso na Europa, permitido no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O controle da \u00e1gua feito pelo Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 distante dos par\u00e2metros da Uni\u00e3o Europeia. Com o objetivo de eliminar a contamina\u00e7\u00e3o, o continente fixou a concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima na \u00e1gua em 0,1 micrograma por litro \u2013 valor que era o m\u00ednimo detect\u00e1vel quando a regula\u00e7\u00e3o foi criada.<\/p>\n<p>Para descobrir como a \u00e1gua do Brasil seria avaliada pelo padr\u00e3o europeu, a organiza\u00e7\u00e3o Public Eye classificou os dados fornecidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade segundo o crit\u00e9rio daquele continente. Alguns dos agrot\u00f3xicos mais perigosos ultrapassaram os limites europeus em mais de 20% dos testes. Entre eles, o glifosato e o mancozebe, ambos associados a doen\u00e7as cr\u00f4nicas, e o aldicarbe, proibido no Brasil e classificado pela Anvisa como \u201co agrot\u00f3xico mais t\u00f3xico registrado no pa\u00eds, entre todos os ingredientes ativos utilizados na agricultura\u201d.<\/p>\n<p>O glifosato \u00e9 o caso mais revelador sobre as peculiaridades do Brasil na regula\u00e7\u00e3o sobre agrot\u00f3xicos. Classificado como\u00a0<a href=\"https:\/\/monographs.iarc.fr\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/mono112-10.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cprov\u00e1vel carcinog\u00eanico\u201d<\/a>\u00a0pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer, \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o pesticida est\u00e1 sendo discutido em todo o mundo. H\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2019\/mar\/09\/spray-pray-is-roundup-carcinogenic-monsanto-farmers-suing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">milhares de pacientes com c\u00e2ncer processando<\/a>\u00a0os fabricantes nos Estados Unidos \u2013 e vencendo nos tribunais \u2013 al\u00e9m de protestos e peti\u00e7\u00f5es pedindo a sua proibi\u00e7\u00e3o na Europa. N\u00e3o h\u00e1 consenso, entre as ag\u00eancias reguladoras, sobre sua classifica\u00e7\u00e3o. No Brasil, que oficialmente colocou a subst\u00e2ncia em revis\u00e3o desde 2008, o Minist\u00e9rio da Agricultura\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/02\/governo-libera-registro-de-mais-de-um-agrotoxico-por-dia-neste-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">liberou novos registros<\/a>\u00a0para a venda de glifosato no in\u00edcio deste ano. O pesticida passou a ser vendido em novas formas, quantidades e por n\u00famero maior de fabricantes.<\/p>\n<p>Nos testes com a \u00e1gua do pa\u00eds, a controversa subst\u00e2ncia foi a que mais ultrapassou a margem de seguran\u00e7a segundo o crit\u00e9rio da Uni\u00e3o Europeia: 23% dos casos acima do limite. Pela lei brasileira, o glifosato foi um dos que menos soou o alarme: apenas 0,02% dos testes ultrapassaram o nosso limite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-agua-br-2-mobile1.png?resize=750%2C680&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-agua-br-2-mobile1.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-concentracao-agua-br-2-mobile1.png?resize=662%2C600&amp;ssl=1 662w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"680\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 um esc\u00e2ndalo de sa\u00fade p\u00fablica. N\u00f3s colocamos o limite alto, l\u00e1 na estratosfera, e a\u00ed comemoramos que temos uma \u00e1gua segura\u201d, questiona a pesquisadora Larissa Bombardi, professora de geografia na Universidade de S\u00e3o Paulo e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.larissabombardi.blog.br\/atlas2017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">autora de um atlas<\/a>\u00a0que compara a lei brasileira e europeia no controle dos agrot\u00f3xicos. Seu estudo revela como nossos limites chegam a ser\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2017\/11\/agrotoxicos-alimentos-brasil-estudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">5 mil vezes mais altos que os europeus<\/a>. O caso mais grave \u00e9 o do glifosato: enquanto na Europa \u00e9 permitido apenas 0,1 microgramas por litro na \u00e1gua, aqui no Brasil a legisla\u00e7\u00e3o permite at\u00e9 500 microgramas por litro.<\/p>\n<p>Como o glifosato \u00e9 o agrot\u00f3xico mais vendido no pa\u00eds, e tamb\u00e9m o que tem o limite mais generoso para presen\u00e7a na \u00e1gua, Bombardi lan\u00e7a suspeitas sobre os crit\u00e9rios usados: \u201cno caso do glifosato \u00e9 realmente dif\u00edcil encontrar justificativa cient\u00edfica, parece ser mais uma decis\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica\u201d. O pesticida foi o mais consumido em 2017 no Brasil com 173 mil toneladas vendidas, segundo o Ibama. O volume corresponde a 22%\u00a0<a href=\"https:\/\/www.globenewswire.com\/news-release\/2018\/07\/05\/1533666\/0\/en\/Global-Glyphosate-Market-Will-Reach-USD-10-88-Billion-By-2024-Zion-Market-Research.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">das estimativas de vendas para esse qu\u00edmico em todo o mundo<\/a>\u00a0no mesmo ano \u2013 o que faz do Brasil um importante mercado para as fabricantes, entre elas as gigantes Syngenta e a Monsanto \u2013 comprada pela Bayer no ano passado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-tanta-diferenca-mobile.png?resize=750%2C770&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-tanta-diferenca-mobile.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/agrotoxicos-tanta-diferenca-mobile.png?resize=584%2C600&amp;ssl=1 584w\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"770\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<h3>Limites generosos<\/h3>\n<p>A larga diferen\u00e7a entre os limites fixados pela Uni\u00e3o Europeia e pelo Brasil \u00e9 um dos principais argumentos dos cr\u00edticos do uso da subst\u00e2ncia no Brasil. \u201cEssa diferen\u00e7a s\u00f3 pode se dar por dois motivos. Ou porque nossa sociedade \u00e9 mais forte, somos seres mais resistentes aos agrot\u00f3xicos. Ou mais tola, porque estamos sendo ing\u00eanuos quanto aos riscos que corremos\u201d, provoca Melgarejo, da Campanha Contra os Agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>A engenheira qu\u00edmica Ellen Pritsch, representante da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental no grupo de trabalho que reavalia os limites dos pesticidas na \u00e1gua, discorda. Para ela, os atuais limites s\u00e3o seguros e foram fixados com embasamento cient\u00edfico. \u201cO crit\u00e9rio brasileiro \u00e9 dez vezes menor do que o efeito que geraria problema. Ent\u00e3o, mesmo que seja encontrado um percentual acima esse valor, ainda assim seria menor [estaria abaixo do risco]\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Antes de aprovar os registros dos agrot\u00f3xicos, as empresas fabricantes entregam estudos com testes feitos com animais em laborat\u00f3rios. O Sindiveg, sindicato da ind\u00fastria de fabricantes de pesticidas, defende que esses estudos s\u00e3o o suficiente para avaliar os riscos das subst\u00e2ncias. \u201cS\u00e3o estudos de bioconcentra\u00e7\u00e3o em peixes e micro-organismo, algas e organismos do solo, abelhas, microcrust\u00e1ceos, peixes e aves\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/integra-da-resposta-do-sindicato-nacional-da-industria-de-produtos-para-defesa-vegetal-sindiveg.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">afirma nota enviada pelo Sindiveg em resposta \u00e0s perguntas da reportagem<\/a>.<\/p>\n<p>A principal reivindica\u00e7\u00e3o dos grupos que fazem campanha pelo controle dos agrot\u00f3xicos \u00e9 por mais restri\u00e7\u00e3o e at\u00e9 pela proibi\u00e7\u00e3o de alguns dos pesticidas hoje aprovados no pa\u00eds, como a atrazina, o acefato e o paraquate,\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2018\/12\/agrotoxicos-proibidos-na-europa-sao-campeoes-de-vendas-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que s\u00e3o campe\u00f5es de venda no Brasil, mas proibidos na Uni\u00e3o Europeia<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/img20190409164247421.jpg?resize=1920%2C1280&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/img20190409164247421.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/img20190409164247421.jpg?resize=800%2C533&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/img20190409164247421.jpg?resize=1600%2C1067&amp;ssl=1 1600w\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>Chamada \u00e0 C\u00e2mara para explicar as libera\u00e7\u00f5es de novos registros de agrot\u00f3xicos, a ministra da Agricultura chamou de \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d os estudos que apontam os riscos dessas subst\u00e2ncias<\/em><\/p>\n<p>Mas o governo aponta na dire\u00e7\u00e3o oposta. A respons\u00e1vel pela pasta da agricultura, ex-l\u00edder da bancada ruralista Tereza Cristina, foi presidente da comiss\u00e3o especial na C\u00e2mara que aprovou, em junho passado, o Projeto de Lei que prop\u00f5e agilizar a aprova\u00e7\u00e3o de novos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds. Apelidado pelos cr\u00edticos como o \u201cPL do veneno\u201d, j\u00e1 gerou grande pol\u00eamica, sendo criticado em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abrasco.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dossie_parte_2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">carta assinada<\/a>\u00a0por mais de 20 grupos da comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Sem previs\u00e3o de conseguir maioria no Congresso para aprovar o PL, a estrat\u00e9gia parece ter mudado. Desde o in\u00edcio do ano, o Minist\u00e9rio da Agricultura publicou novos registros para 152 agrot\u00f3xicos, uma velocidade recorde de 1,5 aprova\u00e7\u00f5es por dia. Chamada para esclarecer as libera\u00e7\u00f5es em audi\u00eancia na C\u00e2mara na \u00faltima ter\u00e7a-feira (9),\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/04\/agricultores-consomem-agrotoxico-porque-fumam-ao-aplicar-diz-ministra-da-agricultura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a ministra disse que \u201cn\u00e3o existe libera\u00e7\u00e3o geral\u201d<\/a>\u00a0e que longos processos de aprova\u00e7\u00e3o s\u00f3 atrasam o agroneg\u00f3cio brasileiro. Ela chamou de \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d os estudos que apontam os riscos dessas subst\u00e2ncias e, usando o mesmo argumento do sindicato dos produtores de agrot\u00f3xicos, declarou que as intoxica\u00e7\u00f5es ocorrem devido ao modo como os trabalhadores aplicam as subst\u00e2ncias. Um dia depois da audi\u00eancia, o governo aprovou a comercializa\u00e7\u00e3o de mais 31 agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"7leJNMgUX1\"><p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/04\/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu\/\">\u201cCoquetel\u201d com 27 agrot\u00f3xicos foi achado na \u00e1gua de 1 em cada 4 munic\u00edpios &#8211; consulte o seu<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;\u201cCoquetel\u201d com 27 agrot\u00f3xicos foi achado na \u00e1gua de 1 em cada 4 munic\u00edpios &#8211; consulte o seu&#8221; &#8212; Ag\u00eancia P\u00fablica\" src=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/04\/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu\/embed\/#?secret=RFQM25Winb#?secret=7leJNMgUX1\" data-secret=\"7leJNMgUX1\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Aranha &#8211; S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e outras 1.300 cidades acharam agrot\u00f3xicos na rede de abastecimento. 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