{"id":10317,"date":"2019-03-26T12:44:30","date_gmt":"2019-03-26T15:44:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=10317"},"modified":"2019-03-21T21:46:34","modified_gmt":"2019-03-22T00:46:34","slug":"memorias-que-a-ditadura-tentou-apagar-emergem-com-a-forca-dos-fatos-historicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/03\/26\/memorias-que-a-ditadura-tentou-apagar-emergem-com-a-forca-dos-fatos-historicos\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias que a ditadura tentou apagar emergem com a for\u00e7a dos fatos hist\u00f3ricos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carla Rodrigues<\/strong> &#8211; <span style=\"font-size: 16px;\">O professor Edson Teles \u00e9 mestre e doutor em Filosofia pela USP, professor de Filosofia da Unifesp e autor de diversos livros, incluindo a organiza\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><em style=\"font-size: 16px;\">O que resta da ditadura<\/em><span style=\"font-size: 16px;\">\u00a0(Boitempo). Essa breve apresenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 serviria para justificar sua presen\u00e7a \u00e0 frente do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), instituto da Unifesp encarregado de identificar desaparecidos pol\u00edticos da ditadura de 1964 entre as ossadas encontradas na Vala Clandestina de Perus. Quem o ouve falar com a voz pausada e baixa, enquanto circula com naturalidade entre as ossadas em estudo no laborat\u00f3rio, n\u00e3o \u00e9 capaz de adivinhar que ele carrega tamb\u00e9m na sua biografia a marca das torturas que pesquisa. Coube \u00e0 fam\u00edlia Teles ser uma das primeiras a vencer um\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 16px;\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Politica\/0,,AA1346783-5601,00-JULGAMENTO+MOSTRA+QUE+FERIDA+DO+REGIME+MILITAR+AINDA+NAO+SAROU.html\">processo contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra<\/a><span style=\"font-size: 16px;\">, condenado e declarado publicamente torturador\u00a0pela Justi\u00e7a e anos depois, identificado pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade como um dos mais cru\u00e9is militares entre os mais de 300 torturadores identificados. Edson \u00e9, nesse sentido, um profissional capaz de unir teoria e pr\u00e1tica na sua hist\u00f3ria intelectual e, portanto, de sustentar a antropologia e a arqueologia forense de alto n\u00edvel que o CAAF mobiliza a partir de um discurso consistente e necess\u00e1rio nesse momento em que o revisionismo hist\u00f3rico tenta reconstruir a hist\u00f3ria do pa\u00eds:<\/span><\/p>\n<div class=\"desc-single\">\n<p>\u201cTemos no laborat\u00f3rio a prova material de que tivemos uma ditadura gravemente violenta. As mem\u00f3rias que a ditadura tentou apagar, a partir do nosso trabalho, emergem com a for\u00e7a dos fatos hist\u00f3ricos\u201d.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 CULT ele explica como funciona o CAAF, quais seus objetivos, as articula\u00e7\u00f5es entre as arbitrariedades do passado com a viol\u00eancia policial contempor\u00e2nea e a import\u00e2ncia de articular a universidade p\u00fablica aos movimentos sociais cujas pr\u00e1ticas de resist\u00eancia t\u00eam muito a nos ensinar nesses tempos t\u00e3o dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira (22), promove a aula inaugural de dois cursos de extens\u00e3o que materializam a abertura da Universidade a outros p\u00fablicos: \u201cDireitos Humanos e Lutas Sociais\u201d e \u201cAntropologia Forense e Direitos Humanos\u201d, com um ato em mem\u00f3ria da vereadora\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/tag\/marielle-franco\">Marielle Franco<\/a>. O CAAF come\u00e7a o ano letivo com uma \u201cfemenagem\u201d \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p><strong>Um dos objetivos do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) \u00e9 desenvolver projetos relacionados a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos no Brasil. No atual contexto pol\u00edtico, o CAAF ganha ainda mais import\u00e2ncia? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O CAAF tem dois grandes projetos, sob os quais boa parte de nossas atividades se desenvolvem. Fazemos o trabalho forense de identifica\u00e7\u00e3o de desaparecidos pol\u00edticos da ditadura entre as ossadas encontradas na Vala Clandestina de Perus, criada nos anos 1970, pela ditadura, para ocultar cad\u00e1veres, e, no outro projeto, pesquisamos as situa\u00e7\u00f5es de morte, via execu\u00e7\u00e3o, das v\u00edtimas dos Crimes de Maio de 2006, ocorridos em S\u00e3o Paulo. Ambas as pesquisas apontam para estruturas e estrat\u00e9gias violentas do Estado brasileiro no modo de lidar com os sujeitos considerados \u201cdescart\u00e1veis\u201d ou com as vidas que pouco importam. No contexto atual, com um governo federal que adota a linha da maior militariza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana, bem como autoriza, com leis e discursos, a a\u00e7\u00e3o ainda mais violenta por parte de agentes do Estado, toda pesquisa sobre viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no pa\u00eds j\u00e1 seria relevante. Por\u00e9m, diante de um presidente que tem como um de seus her\u00f3is o maior torturador da ditadura, o coronel Ustra, e defende abertamente o per\u00edodo do regime militar, bem como j\u00e1 disse aprovar a tortura contra \u201cinimigos\u201d, o trabalho do CAAF passa a ter uma import\u00e2ncia maior e singular. Trata-se, no atual contexto, de trazer \u00e0 tona as provas materiais do que foi a ditadura e, mediante os dados de nossas pesquisas, demonstrar para a sociedade brasileira o dram\u00e1tico erro cometido ao se autorizar ou apostar na viol\u00eancia como meio de solucionar os problemas urbanos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e3o sob a guarda do CAAF as ossadas encontradas no cemit\u00e9rio municipal de Perus. Qual tem sido o processo de an\u00e1lise dessas ossadas para identifica\u00e7\u00e3o de desaparecidos pol\u00edticos?<\/strong><\/p>\n<p>Quando recebemos as ossadas, em 2014, n\u00e3o havia um laborat\u00f3rio e nem mesmo protocolos de trabalho em antropologia forense. Em parceria com o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos, por meio da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos, e com a Prefeitura de S\u00e3o Paulo, a Unifesp iniciou ent\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o que hoje abriga essas pesquisas, o CAAF. O material analisado tem mais de 40 anos, o que dificulta as an\u00e1lises devido \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, por terem vindo de uma vala comum, em cada caixa recebida havia, muitas vezes, ossadas de mais de um indiv\u00edduo. Nosso trabalho consiste, de modo geral, limpar as ossadas, separar os indiv\u00edduos, analisar cada um em busca de marcas de identifica\u00e7\u00e3o ou de aproxima\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que buscamos e, por fim, retirar uma amostra de DNA (peda\u00e7o de um osso) e enviar para o exterior, a partir de um conv\u00eanio firmado com a ICMP (International Commission On Missing Persons), especializada em extra\u00e7\u00e3o de DNA em grande quantidade e de material com baixa qualidade devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es nas quais s\u00e3o encontrados.<\/p>\n<p>Assim, dois grandes bancos de dados foram montados. Um, o\u00a0<em>ante-mortem<\/em>, com os dados dos 42 desaparecidos pol\u00edticos que os familiares de v\u00edtimas da ditadura consideram com grande chance de terem sido lan\u00e7ados na Vala de Perus. S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es vindas das fam\u00edlias, do IML, e referente \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida. H\u00e1 ainda, nesta base, os depoimentos de outros perseguidos sobreviventes cujas narrativas possam indicar alguma marca que facilite a identifica\u00e7\u00e3o. Assim, por exemplo, se um desaparecido tivesse quebrado o bra\u00e7o durante a vida, esta marca poderia auxiliar na identifica\u00e7\u00e3o de sua ossada.<\/p>\n<p>O outro banco de dados \u00e9 justamente as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelas an\u00e1lises feitas no laborat\u00f3rio do CAAF, sobre as ossadas, suas marcas, sexo, tamanho, idade aproximada etc, que formam um arquivo\u00a0<em>post-mortem<\/em>. Da compara\u00e7\u00e3o entre esses dados se obt\u00e9m a lista das caixas onde h\u00e1 maior probabilidade de serem identificados desaparecidos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, temos todas as caixas abertas e limpas, e cerca de 900 delas com as an\u00e1lises j\u00e1 realizadas. O restante est\u00e1 sendo analisado e as que se aproximam mais do perfil procurado tem uma amostra de DNA retirado para exame.<\/p>\n<p>Durante o ano de 2018 conseguimos a confirma\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o de dois desaparecidos pol\u00edticos: Dimas Ant\u00f4nio Casemiro (desaparecido em abril de 1971) e Alu\u00edzio Palhano Ferreia (desaparecido em maio de 1971). Segundo o Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, ambos foram v\u00edtimas do DOI-CODI de S\u00e3o Paulo, comandado \u00e0 \u00e9poca pelo coronel Ustra.<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia desse projeto estar sendo desenvolvido numa universidade p\u00fablica e que parcerias internacionais s\u00e3o fundamentais para a sustenta\u00e7\u00e3o do Caaf?<\/strong><\/p>\n<p>A universidade p\u00fablica brasileira tem passado por transforma\u00e7\u00f5es importantes. Nos \u00faltimos anos, com a expans\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e das vagas, com a entrada de sujeitos que n\u00e3o tiveram em suas fam\u00edlias indiv\u00edduos com oportunidade de cursar uma universidade, o perfil, a demanda e a disputa de qual conhecimento ser\u00e1 produzido e divulgado se modificaram. Na \u00e1rea de humanas, as quest\u00f5es raciais, da viol\u00eancia do Estado, das formas de resist\u00eancia, dos estudos de pensadores brasileiros, latino-americanos, afro-brasileiros e africanos ganhou um espa\u00e7o consider\u00e1vel. Os temas de direitos humanos passaram a ter uma import\u00e2ncia ainda maior. Assim como o compromisso da universidade p\u00fablica com a qualifica\u00e7\u00e3o da vida e dos direitos. Pesquisas e forma\u00e7\u00f5es como as realizadas pelo CAAF se encontram nesse processo de democratiza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da universidade. S\u00e3o projetos colaborativos com a sociedade civil no esfor\u00e7o de produzir a prote\u00e7\u00e3o das camadas mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o e de garantir o acesso deles aos instrumentos e mecanismos de luta por uma vida digna. Por outro lado, o CAAF j\u00e1 sentiu mudan\u00e7as recentes sendo implementadas no apoio \u00e0 pesquisa e forma\u00e7\u00e3o em direitos humanos, com a diminui\u00e7\u00e3o dos fomentos e dos aportes financeiros necess\u00e1rios ao trabalho realizado. Assim, as parcerias internacionais s\u00e3o formas de conseguirmos apoio e de qualificar e aprofundar o trabalho j\u00e1 desenvolvido.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas est\u00e3o oferecendo cursos de extens\u00e3o sobre antropologia forense e direitos humanos, com quais objetivos? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Estamos oferecendo dois cursos de especializa\u00e7\u00e3o lato sensu. Um, de \u201cAntropologia Forense e Direitos Humanos\u201d, voltado \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o de antrop\u00f3logos forenses voltados aos trabalhos de identifica\u00e7\u00e3o humana em casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. O outro, de \u201cDireitos Humanos e Lutas Sociais\u201d, visa aprofundar a forma\u00e7\u00e3o de ativistas que se encontram na capilaridade das lutas de direitos humanos ou do trabalho social no servi\u00e7o p\u00fablico. Em ambos os casos, trata-se de relacionar as pesquisas produzidas no pr\u00f3prio CAAF a processos de forma\u00e7\u00e3o profissional e cidad\u00e3.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma grande procura por esses cursos? Voc\u00ea acredita que o contexto pol\u00edtico adverso tem justamente incentivado a forma\u00e7\u00e3o de novas lideran\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pergunta interessante. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas observamos uma transforma\u00e7\u00e3o global nos modos da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O modelo do representante, da institui\u00e7\u00e3o portadora do programa pol\u00edtico e do estabelecimento de determinados sujeitos pol\u00edticos entrou em crise, deixou de ser um formato hegem\u00f4nico. Surgem novas formas, mais aut\u00f4nomas e horizontais, cujo suporte \u00e9 justamente a produ\u00e7\u00e3o de saberes espec\u00edficos oriundos das experimenta\u00e7\u00f5es cotidianas. Pode-se dizer que \u00e9 na tem\u00e1tica dos direitos humanos a esfera em que mais proliferaram organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (coletivos) e movimentos sob essas novas estrat\u00e9gias e arquiteturas pol\u00edticas. Contudo, a capilaridade das lutas em direitos humanos se encontram em constante conex\u00e3o com os modelos tradicionais, assim como se relacionam diretamente com as pol\u00edticas p\u00fablicas, estatais ou n\u00e3o (terceiro setor). Assim, h\u00e1 uma grande demanda pelos conhecimentos acad\u00eamicos, espa\u00e7o cl\u00e1ssico das an\u00e1lises e pesquisas que implicam em pol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o dos direitos e conflitos. \u00c9 impressionante a quantidade de ativistas e militantes inscritos nos processos seletivos desses cursos. Acreditamos que o CAAF possa colaborar para a efetiva\u00e7\u00e3o deste necess\u00e1rio encontro entre os saberes locais das lutas sociais e o conhecimento produzido na universidade. Assim, para retomar a quest\u00e3o, acredito que o contexto adverso tem sido a realidade dos territ\u00f3rios extremos onde explodem os conflitos sociais. A viol\u00eancia policial, o prec\u00e1rio acesso \u00e0 Justi\u00e7a, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os p\u00fablicos (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte etc) e o descaso dos poderes p\u00fablicos com as periferias tem sido a hist\u00f3ria do pa\u00eds. E tendem a se agravar, infelizmente. Penso que as novas lideran\u00e7as, ou as novas formas de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, surgem mais do ac\u00famulo dos saberes espec\u00edficos das lutas, poss\u00edvel tamb\u00e9m devido \u00e0s melhores condi\u00e7\u00f5es existentes para realizar as conex\u00f5es necess\u00e1rias entre eles e os conhecimentos tradicionais e mais consolidados.<\/p>\n<p><strong>De que forma o projeto do CAAF tamb\u00e9m participa da cr\u00edtica \u00e0 viol\u00eancia policial?<\/strong><\/p>\n<p>Junto com o trabalho forense de identifica\u00e7\u00e3o dos desaparecidos pol\u00edticos, realizamos uma primeira etapa de pesquisa sobre os Crimes de Maio de 2006, quando centenas de homic\u00eddios foram cometidos em um per\u00edodo de duas semanas. Atrav\u00e9s da an\u00e1lise de 60 casos, de mortes ocorridas na Baixada Santista, se pode verificar a din\u00e2mica da viol\u00eancia, em especial a do Estado, como apontam as narrativas e os dados dessa e de outras pesquisas. Assim como se levantou o perfil das v\u00edtimas \u2013 negros, pobres e perif\u00e9ricos \u2013 e os ind\u00edcios expl\u00edcitos de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambas as pesquisas, a da Vala de Perus dos anos 1970 e a dos Crimes de Maio de 2006, nos permitem identificar estruturas e estrat\u00e9gias violentas que n\u00e3o s\u00f3 permaneceram, mas tamb\u00e9m se sofisticaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Em ambos os casos acessamos documentos de IML, cemit\u00e9rios, delegacias de pol\u00edcia e institui\u00e7\u00f5es do judici\u00e1rio. Transparece pelas an\u00e1lises a l\u00f3gica estatal de cumplicidade desses v\u00e1rios entes com o processo de viol\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o mais ampla da viol\u00eancia de Estado, o que inclui a policial, mas n\u00e3o somente essa, e o contexto atual de amea\u00e7as e agress\u00f5es a defensores de direitos humanos (inclusive com o aumento do n\u00famero de v\u00edtimas fatais), nos levou a iniciar a organiza\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio da Prote\u00e7\u00e3o aos Direitos Humanos. O objetivo \u00e9 levantar dados, fazer an\u00e1lises e relat\u00f3rios e produzir instrumentos de prote\u00e7\u00e3o para os sujeitos que se encontram nas lutas sociais de defesa dos direitos e contra a viol\u00eancia institucional.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que uma das tarefas importantes desse trabalho \u00e9 fazer frente ao revisionismo hist\u00f3rico que vem sendo apregoado pelo novo governo?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a tarefa inescap\u00e1vel do CAAF. Temos em nosso laborat\u00f3rio a prova material de que tivemos uma ditadura gravemente violenta. L\u00e1 se encontram as ossadas e suas marcas da tortura, do assassinato e do desaparecimento for\u00e7ado. Mostram que os desaparecidos foram produ\u00e7\u00e3o de um regime pol\u00edtico centralizado, com institui\u00e7\u00f5es repressivas militares e hier\u00e1rquicas. As mem\u00f3rias que a ditadura tentou apagar, a partir do nosso trabalho, emergem com a for\u00e7a dos fatos hist\u00f3ricos. \u00c9 um cen\u00e1rio de contesta\u00e7\u00e3o do revisionismo e de formula\u00e7\u00e3o qualificada dos argumentos de afirma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de graves viola\u00e7\u00f5es de direitos por parte do Estado brasileiro.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"DgcWCYBeqp\"><p><a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/entrevista-edson-telles-caaf\/\">Edson Teles: Mem\u00f3rias que a ditadura tentou apagar emergem com a for\u00e7a dos fatos hist\u00f3ricos<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Edson Teles: Mem\u00f3rias que a ditadura tentou apagar emergem com a for\u00e7a dos fatos hist\u00f3ricos&#8221; &#8212; Revista Cult\" src=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/entrevista-edson-telles-caaf\/embed\/#?secret=DgcWCYBeqp\" data-secret=\"DgcWCYBeqp\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Rodrigues &#8211; O professor Edson Teles \u00e9 mestre e doutor em Filosofia pela USP, professor de Filosofia da Unifesp e autor de diversos livros, incluindo a organiza\u00e7\u00e3o de\u00a0O que resta da ditadura\u00a0(Boitempo). 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