{"id":10111,"date":"2019-02-11T12:10:11","date_gmt":"2019-02-11T14:10:11","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=10111"},"modified":"2019-02-10T16:14:02","modified_gmt":"2019-02-10T18:14:02","slug":"mulheres-vitimas-de-agressoes-anteriores-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/11\/mulheres-vitimas-de-agressoes-anteriores-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio\/","title":{"rendered":"Mulheres v\u00edtimas de agress\u00f5es anteriores t\u00eam 151 vezes mais chance de morrer por homic\u00eddio ou suic\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patr\u00edcia Figueiredo<\/strong> &#8211; Estat\u00edstica faz parte de dados compilados, cruzados e analisados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que ser\u00e3o publicados em mar\u00e7o.<\/p>\n<div>\n<p>As mulheres brasileiras adultas que registraram epis\u00f3dios de viol\u00eancia nos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablicos t\u00eam chance 151,5 vezes maior de morrer por homic\u00eddio ou suic\u00eddio em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o feminina geral. Os homic\u00eddios e suic\u00eddios correspondem a 83% das mortes por causas externas em mulheres v\u00edtimas de agress\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>No caso de idosas e crian\u00e7as que sofreram viol\u00eancia pr\u00e9via, a mortalidade por causas violentas aumenta ainda mais: mulheres com mais de 60 anos t\u00eam chances 311,4 vezes maiores enquanto meninas com menos de 9 anos t\u00eam 256,1 vezes a mortalidade m\u00e9dia de outras meninas na mesma faixa et\u00e1ria. Os dados foram compilados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e ser\u00e3o publicados em mar\u00e7o no livro Sa\u00fade Brasil 2018.<\/p>\n<p><a id=\"Link1\"><\/a>Considerando apenas as mulheres adultas, a taxa m\u00e9dia anual de mortalidade por causas externas foi de 1.170 por 100 mil. Isso significa que, em m\u00e9dia, uma em cada 100 mulheres adultas que deu entrada em hospitais ou postos de sa\u00fade p\u00fablicos por conta de agress\u00f5es morreu por ano no per\u00edodo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img1.png?resize=1400%2C1322&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img1.png?w=1400&amp;ssl=1 1400w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img1.png?resize=635%2C600&amp;ssl=1 635w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img1.png?resize=1271%2C1200&amp;ssl=1 1271w\" alt=\"\" width=\"1400\" height=\"1322\" \/><\/p>\n<p>A coordenadora do estudo, Maria de F\u00e1tima Marinho, diretora do Departamento de Vigil\u00e2ncia de Doen\u00e7as e Agravos n\u00e3o Transmiss\u00edveis e Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade (DANTPS), acredita que uma an\u00e1lise de dados mais recentes deve revelar uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais grave. \u201cDesde 2018 estamos identificando um aumento significativo da viol\u00eancia contra mulher, incluindo meninas menores de 10 anos e adolescentes\u201d, explica. \u201cA situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 preocupante, parece que a viol\u00eancia de g\u00eanero e agress\u00e3o sexual contra mulheres e crian\u00e7as est\u00e3o liberadas.\u201d<\/p>\n<p><a id=\"Link2\"><\/a>O minist\u00e9rio ainda n\u00e3o possui uma compara\u00e7\u00e3o entre notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e \u00f3bitos de mulheres para os anos de 2017 e 2018. No entanto, dados preliminares de 2017 mostram que, naquele ano, as notifica\u00e7\u00f5es aumentaram 30% em rela\u00e7\u00e3o a 2016.<\/p>\n<p>O aumento foi maior entre crian\u00e7as de at\u00e9 9 anos e adolescentes entre 10 e 19 anos. Entre crian\u00e7as as notifica\u00e7\u00f5es cresceram 32% e entre adolescentes, 37%, na compara\u00e7\u00e3o de 2017 com o ano anterior. J\u00e1 os atos praticados contra mulheres adultas e idosas subiram 28% e 29%, respectivamente.<\/p>\n<p><a id=\"Link3\"><\/a>Em m\u00e9dia foram registradas 630 notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra mulheres por dia no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em 2017. As notifica\u00e7\u00f5es englobam apenas viol\u00eancias intencionais praticadas por terceiros ou pela pr\u00f3pria v\u00edtima, o que inclui tentativas de suic\u00eddio ou automutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade obteve os dados<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img2.png?resize=1919%2C780&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img2.png?w=1919&amp;ssl=1 1919w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img2.png?resize=800%2C325&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img2.png?resize=1600%2C650&amp;ssl=1 1600w\" alt=\"\" width=\"1919\" height=\"780\" \/><\/p>\n<p><strong>Agress\u00e3o contra mulher registrada no SUS nem sempre vira den\u00fancia<\/strong><\/p>\n<p>O objetivo da an\u00e1lise do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade era comparar a taxa m\u00e9dia anual de \u00f3bito por causas externas entre mulheres com e sem notifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia nos servi\u00e7os de sa\u00fade brasileiros. Para isso, foram usados dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM), onde s\u00e3o registradas todas as declara\u00e7\u00f5es de \u00f3bito, e do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), utilizado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para notificar a condi\u00e7\u00e3o de pacientes v\u00edtimas de viol\u00eancia de diversos tipos. O grupo de analistas fez um cruzamento desses dois sistemas para identificar as mulheres, em todas as faixas et\u00e1rias, que tiveram notifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia pr\u00e9via e foram a \u00f3bito por causas externas no per\u00edodo de 2011 a 2016.<\/p>\n<p>Vale destacar que as notifica\u00e7\u00f5es registradas no Sinan n\u00e3o pressup\u00f5em que a v\u00edtima fez den\u00fancia da agress\u00e3o \u00e0s autoridades policiais. A notifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 um registro feito por um m\u00e9dico ou funcion\u00e1rio da unidade de sa\u00fade no sistema e n\u00e3o corresponde a uma den\u00fancia. Trata-se de um instrumento que tamb\u00e9m permite a apura\u00e7\u00e3o de dados confi\u00e1veis sobre as doen\u00e7as e agravos registrados pelos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A notifica\u00e7\u00e3o no Sinan \u00e9 obrigat\u00f3ria em todos os casos em que h\u00e1 suspeita ou confirma\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou intrafamiliar, sexual, autoprovocada, tr\u00e1fico de pessoas, trabalho escravo, trabalho infantil, tortura, interven\u00e7\u00e3o legal e viol\u00eancias homof\u00f3bicas praticadas contra mulheres e homens em todas as faixas et\u00e1rias. No caso de viol\u00eancia extrafamiliar e comunit\u00e1ria, ou seja, aquela que ocorre fora do ambiente dom\u00e9stico, apenas as praticadas contra crian\u00e7as, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, pessoa com defici\u00eancia, ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00e3o LGBT s\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com as\u00a0<a href=\"http:\/\/portalms.saude.gov.br\/vigilancia-em-saude\/vigilancia-de-violencias-e-acidentes-viva\/vigilancia-de-violencias\/orientacoes-para-notificacao-e-atendimento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diretrizes do minist\u00e9rio<\/a>, as unidades de atendimento de sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a encaminhar os pacientes alvo de notifica\u00e7\u00f5es aos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o psicossocial ou orienta\u00e7\u00e3o para a v\u00edtima procurar a Delegacia de Mulheres de sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O encaminhamento do caso ao Conselho Tutelar ou Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 obrigat\u00f3rio quando a viol\u00eancia \u00e9 praticada contra crian\u00e7as e adolescentes; no caso de agress\u00f5es contra pessoas idosas, o encaminhamento ao Conselho Municipal do Idoso ou Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 compuls\u00f3rio. Em agress\u00f5es contra pessoas com defici\u00eancia, a lei determina que sejam comunicados o Conselho dos Direitos das Pessoas Deficientes e o Minist\u00e9rio P\u00fablico e que a autoridade policial local seja acionada.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de mulheres adultas que estejam vivenciando situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e que n\u00e3o sejam nem idosas nem deficientes, as equipes de sa\u00fade s\u00e3o orientadas a informar sobre a exist\u00eancia de servi\u00e7os da rede de prote\u00e7\u00e3o social e sobre a import\u00e2ncia da den\u00fancia, mas n\u00e3o devem encaminhar o caso sem autoriza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita.<\/p>\n<p><strong>\u00d3bitos poderiam ser evitados com medidas contra a viol\u00eancia de g\u00eanero<\/strong><\/p>\n<p>Como o n\u00famero de mulheres que segue as orienta\u00e7\u00f5es e formaliza a den\u00fancia \u00e9 muito inferior \u00e0 quantidade de ocorr\u00eancias, os dados das pol\u00edcias resultam subnotificados. Assim, os n\u00fameros das notifica\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o mais utilizados por pesquisadores para analisar o cen\u00e1rio de viol\u00eancia contra a mulher no Brasil. O n\u00famero real de mulheres v\u00edtimas de agress\u00e3o que depois morreram por causas violentas pode ser ainda maior j\u00e1 que as estat\u00edsticas do Sinan excluem as v\u00edtimas que n\u00e3o se dirigem aos servi\u00e7os de sa\u00fade e tamb\u00e9m as que procuram atendimento m\u00e9dico na rede particular.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade utiliza dados identificados, ou seja, que permitem ao pesquisador verificar o nome e outras informa\u00e7\u00f5es pessoais das v\u00edtimas. Isso possibilita que sejam feitos cruzamentos de informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas. Para preservar a privacidade das pacientes, esses dados n\u00e3o s\u00e3o fornecidos a outras entidades de pesquisa. Assim, somente o pr\u00f3prio minist\u00e9rio pode fazer compara\u00e7\u00f5es como essa \u2013 cruzando os dados de mulheres v\u00edtimas de agress\u00f5es com os de mulheres que foram a \u00f3bito.<\/p>\n<p>Os resultados obtidos nessa an\u00e1lise mostram que a notifica\u00e7\u00e3o no setor de sa\u00fade deve ser entendida como um sinal de alerta para a ocorr\u00eancia de \u00f3bitos que podem ser evitados. Uma das conclus\u00f5es da an\u00e1lise \u00e9 que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas e pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes. \u201cO enfrentamento da viol\u00eancia contra as mulheres imp\u00f5e o fortalecimento de estrat\u00e9gias de vigil\u00e2ncia, acolhimento e aten\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os de sa\u00fade, articuladas intersetorialmente dentro da rede de prote\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d, atesta o documento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para Maria Fernanda Terra, professora de sa\u00fade coletiva na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo, o relat\u00f3rio demonstra que \u00e9 necess\u00e1rio repensar o que \u00e9 feito a partir das notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. \u201cTrata-se de um dado importante porque ele ajuda as institui\u00e7\u00f5es a elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas e identificar os problemas. Mas o que est\u00e1 sendo feito com esse dado? Como ele est\u00e1 sendo usado? Qual o processo de cuidado que est\u00e1 sendo oferecido a essas mulheres nas unidades de sa\u00fade?\u201d, questiona Maria Fernanda. \u201cAs mulheres muitas vezes ainda n\u00e3o sabem que a unidade de sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 um local em que elas podem pedir ajuda.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a professora da Santa Casa, os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade comprovam que a viol\u00eancia de g\u00eanero precisa ser combatida com a\u00e7\u00f5es multissetoriais. A raiz do problema est\u00e1 na desigualdade entre homens e mulheres, que, para a pesquisadora, precisa ser questionada n\u00e3o apenas com pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito educacional e pelas autoridades policiais. \u201cA gente vive em uma sociedade que culpa as mulheres por viver uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. As mulheres, de todas as faixas et\u00e1rias, s\u00e3o mais desacreditadas\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia parte de pessoas conhecidas e acontece no ambiente dom\u00e9stico<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade traz ainda detalhes sobre as agress\u00f5es sofridas pelas mulheres que depois faleceram por causas externas. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o extra\u00eddas das fichas de notifica\u00e7\u00e3o do Sinan, preenchidas pelos m\u00e9dicos que atenderam essas pacientes ap\u00f3s o epis\u00f3dio de viol\u00eancia. A agress\u00e3o f\u00edsica prevaleceu em todas as faixas et\u00e1rias, com 62% do total. J\u00e1 a neglig\u00eancia foi mais comum entre crian\u00e7as (32% dos casos) e idosas (16% dos casos). A resid\u00eancia das v\u00edtimas foi o principal local de ocorr\u00eancia da viol\u00eancia para todas as idades e corresponde a 71% dos registros.<\/p>\n<p>Dentre os meios de agress\u00e3o mais utilizados destacou-se a for\u00e7a corporal, presente em 19% das ocorr\u00eancias, seguida pelo uso da arma de fogo, relatado em 16% dos casos. A arma de fogo foi mais utilizada contra mulheres mais novas, usada contra 21% das jovens (de 20 a 29 anos) e 25% das adolescentes (de 10 a 19 anos). O enforcamento (sufoca\u00e7\u00e3o), terceiro meio de agress\u00e3o mais comum, prevaleceu entre as mulheres idosas: 20% das mulheres com mais de 60 anos foram v\u00edtimas desse tipo de ataque.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas dos prov\u00e1veis agressores mostram ainda que 45% de todas as viol\u00eancias foram praticadas por pessoas conhecidas, entre familiares, parceiros \u00edntimos ou amigos. Apenas 11% das agress\u00f5es contra mulheres que depois morreram por causas violentas foram perpetradas por desconhecidos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img3-2.png?resize=1166%2C3023&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img3-2.png?w=1166&amp;ssl=1 1166w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img3-2.png?resize=231%2C600&amp;ssl=1 231w, https:\/\/i2.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img3-2.png?resize=463%2C1200&amp;ssl=1 463w\" alt=\"\" width=\"1166\" height=\"3023\" \/><\/p>\n<p><strong>Idosas, crian\u00e7as e habitantes de cidades pequenas s\u00e3o grupos vulner\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>Em 39% dos casos a agress\u00e3o partiu da pr\u00f3pria v\u00edtima, ou seja, foi autoprovocada. A propor\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior entre mulheres adultas e idosas: corresponde a 47% dos casos na faixa entre 30 e 59 anos e 49% no grupo com mais de 60 anos. Para os pesquisadores, essa caracter\u00edstica revela maior vulnerabilidade das mulheres desse grupo. Esse registro, no entanto, pode esconder agress\u00f5es feitas por terceiros que s\u00e3o relatadas aos m\u00e9dicos como autoprovocadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil para o profissional de sa\u00fade determinar exatamente a origem da viol\u00eancia. Muitas mulheres podem falar em les\u00e3o autoprovocada quando ela foi feita por uma pessoa pr\u00f3xima e querida\u201d, explica Maria Fernanda Terra. \u201cNesses casos, por conta da vergonha, \u00e9 mais dif\u00edcil para a v\u00edtima falar quem foi o respons\u00e1vel, ent\u00e3o ela se culpabiliza pela pr\u00f3pria viol\u00eancia por conta do medo e da proximidade.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os autores do estudo, automutila\u00e7\u00f5es ou ferimentos decorrentes de tentativa de suic\u00eddio tamb\u00e9m podem ser consequ\u00eancia de exposi\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, especialmente a sexual. \u201cCabe destacar que a viol\u00eancia cr\u00f4nica tem sido considerada um fator de risco para les\u00e3o autoprovocada, que por sua vez \u00e9 considerada fator de risco para suic\u00eddio. Esses eventos tamb\u00e9m podem ser consequ\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias, especialmente a sexual\u201d, atesta o relat\u00f3rio.\u00a0<a href=\"https:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/handle\/10665\/44350\/9789275716359_por.pdf;jsessionid=4C4362\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>, pesquisas recentes feitas na Am\u00e9rica Latina e Caribe constataram que um grande percentual de mulheres v\u00edtimas do parceiro \u00edntimo foi diagnosticado com ansiedade ou depress\u00e3o e teve maior probabilidade de cogitar ou tentar suic\u00eddio.<\/p>\n<p>No caso das crian\u00e7as, 73% dos agressores eram pessoas que pertencem ao c\u00edrculo familiar. O dado preocupa porque em muitos casos os pr\u00f3prios agressores s\u00e3o as pessoas respons\u00e1veis pelo cuidado e prote\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Entre 2011 e 2016, 295 crian\u00e7as morreram por causas violentas depois de j\u00e1 terem passado por unidades de sa\u00fade por conta de epis\u00f3dios de agress\u00e3o ou neglig\u00eancia. Essa situa\u00e7\u00e3o dificulta a visibilidade do problema, o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade e, principalmente, o fim das agress\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cCrian\u00e7as s\u00e3o sempre o grupo mais vulner\u00e1vel porque elas muitas vezes n\u00e3o t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o clara do que \u00e9 certo e errado\u201d, explica Maria Fernanda. \u201cVivemos em uma sociedade que desacredita a crian\u00e7a, ent\u00e3o a tend\u00eancia \u00e9 ela esconder e sofrer com aquilo.\u201d<\/p>\n<p>A ra\u00e7a e a escolaridade das v\u00edtimas tamb\u00e9m s\u00e3o caracter\u00edsticas que apontam para a exist\u00eancia de outros grupos de maior vulnerabilidade. Mais de 50% das adolescentes e jovens com notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de viol\u00eancia e \u00f3bito por causas externas eram mulheres negras ou pardas. O relat\u00f3rio destaca que nesse grupo pode haver um ac\u00famulo de desigualdades relacionadas \u00e0 estrutura socioecon\u00f4mica, que limita o acesso a condi\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social adequadas. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolaridade, 38% de todas as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia e que morreram por causas externas possuem apenas o ensino fundamental completo.<\/p>\n<p>Outro indicador de vulnerabilidade verificado na pesquisa foi o tamanho do munic\u00edpio da v\u00edtima. Mais de um ter\u00e7o dos munic\u00edpios de resid\u00eancia das mulheres adolescentes, jovens, adultas e idosas que sofreram viol\u00eancia possu\u00eda at\u00e9 50 mil habitantes. \u201cNos munic\u00edpios menores \u00e9 prov\u00e1vel que o medo, a vergonha e a falta de servi\u00e7os de atendimento adequados fa\u00e7am com que o risco da mulher seja muito maior\u201d, avalia Maria Fernanda.<\/p>\n<p>Segundo ela, em munic\u00edpios maiores, a mulher pode optar por procurar ajuda longe de sua resid\u00eancia e escapar dos olhares de conhecidos ou familiares, o que a faz sentir-se menos fragilizada. \u201cEsses marcadores, somados a uma rede fragilizada de apoio \u00e0 mulher, aumentam a vulnerabilidade das habitantes dessas cidades\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Porcentagem de mortes de mulheres por popula\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img4.png?resize=1146%2C471&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img4.png?w=1146&amp;ssl=1 1146w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img4.png?resize=800%2C329&amp;ssl=1 800w\" alt=\"\" width=\"1146\" height=\"471\" \/><\/p>\n<p><strong>Registros cresceram proporcionalmente mais entre crian\u00e7as e adolescentes em 2017<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dados que cruzam os registros de viol\u00eancia e os \u00f3bitos de mulheres, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade compila todas as notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a mulher registradas pelo Sinan. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/caracterizacao-eventos-2011-2017.xlsx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dados preliminares de 2017<\/a>\u00a0mostram que a quantidade de registros cresceu 30% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, com incremento maior entre crian\u00e7as e adolescentes. Foram mais de 230 mil notifica\u00e7\u00f5es no Sinan apenas em 2017, o que equivale a mais de 630 casos por dia.<\/p>\n<p><strong>Crescimento de notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra mulheres<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img5.png?resize=1496%2C992&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img5.png?w=1496&amp;ssl=1 1496w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/05022019-mulheres-que-ja-foram-vitimas-de-violencia-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio-img5.png?resize=800%2C530&amp;ssl=1 800w\" alt=\"\" width=\"1496\" height=\"992\" \/><\/p>\n<p>\u201cA tend\u00eancia da curva muda em 2017, quando o aumento em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior fica mais acentuado\u201d, destaca Maria de F\u00e1tima Marinho, respons\u00e1vel pelo DANTPS no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u201cO dado de 2018 deve confirmar essa mudan\u00e7a de patamar.\u201d<\/p>\n<p>O perfil das agress\u00f5es registradas em 2017 \u00e9 muito similar ao das agress\u00f5es perpetradas entre 2011 e 2016 contra mulheres que depois morreram por causas violentas. A maior parte (63%) tamb\u00e9m ocorreu no ambiente dom\u00e9stico e o principal meio utilizado tamb\u00e9m foi a for\u00e7a corporal, registrada em 47% dos casos.<\/p>\n<p>https:\/\/apublica.org\/2019\/02\/mulheres-vitimas-de-agressoes-anteriores-tem-151-vezes-mais-chance-de-morrer-por-homicidio-ou-suicidio\/?utm_source=Republicadores&#038;utm_campaign=6675543903-EMAIL_CAMPAIGN_2019_02_05_05_15&#038;utm_medium=email&#038;utm_term=0_069298921c-6675543903-288598245<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia Figueiredo &#8211; Estat\u00edstica faz parte de dados compilados, cruzados e analisados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que ser\u00e3o publicados em mar\u00e7o. As mulheres brasileiras adultas que registraram epis\u00f3dios de viol\u00eancia nos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablicos t\u00eam chance 151,5 vezes maior de morrer por homic\u00eddio ou suic\u00eddio em compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o feminina geral. 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