{"id":10096,"date":"2019-02-06T15:13:48","date_gmt":"2019-02-06T17:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=10096"},"modified":"2019-02-05T15:17:06","modified_gmt":"2019-02-05T17:17:06","slug":"impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/","title":{"rendered":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Vitor Santos<\/strong> &#8211;\u00a0Ao analisar a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e seus efeitos,\u00a0<b>Marildo Menegat<\/b>\u00a0destaca que ela \u00e9 um aprofundamento da\u00a0<b>Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Tecnocient\u00edfica<\/b>, a da\u00a0<b>microeletr\u00f4nica<\/b>. \u201cEla amplia solu\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em alguns pontos que n\u00e3o eram ainda suficientemente rent\u00e1veis para o\u00a0<b>capital<\/b>, quando essa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica iniciou-se nos anos 1950-60\u201d, contextualiza. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, ela j\u00e1 era dominante na ind\u00fastria automobil\u00edstica em pa\u00edses como o\u00a0<b>Jap\u00e3o<\/b>. Mas ainda faltava se desenvolver o rob\u00f4, que poderia ser definido como uma m\u00e1quina com \u2018\u00f3rg\u00e3os de sentidos e intelig\u00eancia artificial\u2019. Essas m\u00e1quinas \u2013 que parecem \u2018quase humanos\u2019 \u2013 s\u00e3o o eixo central da\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o 4.0<\/b>.\u201d<\/p>\n<p>Sobre os impactos da\u00a0<b>mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica<\/b>\u00a0\u201cque finalmente poder\u00e1 substituir o trabalho humano em larga escala em atividades antes t\u00e3o especializadas\u201d, ou mesmo a opera\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00e1quinas flex\u00edveis de m\u00faltiplas tarefas numa linha de produ\u00e7\u00e3o de celulares\u201d, projeta: ser\u00e1 \u201cum desastre que provavelmente n\u00e3o se completar\u00e1 em toda sua\u00a0<b>potencialidade tecnocient\u00edfica<\/b>\u201d.\u00a0<b>Menegat<\/b>\u00a0acredita que \u201co pr\u00f3prio\u00a0<b>capitalismo<\/b>, como sujeito autom\u00e1tico, afundar\u00e1 totalmente na cat\u00e1strofe \u2018algumas horas antes\u2019, por falta de condi\u00e7\u00f5es para continuar simulando, por meio do sistema financeiro, a produ\u00e7\u00e3o especulativa de novos valores que sustentariam artificialmente estas f\u00e1bricas sem trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre os\u00a0<b>efeitos da t\u00e9cnica<\/b>,\u00a0<b>Menegat<\/b>\u00a0afirma que, no essencial, ela \u201caumentou loucamente o sofrimento ps\u00edquico necess\u00e1rio para os indiv\u00edduos se adaptarem \u00e0s suas tarefas e ao mundo que dela resulta\u201d. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 por que querer melhorar o trabalho se a situa\u00e7\u00e3o for avaliada a partir de uma perspectiva cr\u00edtica dos fundamentos do capital. \u201cAntes, o urgente seria super\u00e1-lo como atividade insana que tem levado a humanidade a saltar num abismo sem volta.\u201d Ao citar as teorias do antropoceno, lembra que \u201co\u00a0<b>impacto destrutivo do capitalismo<\/b>\u00a0\u2013 e nisto seus fundamentos, como o valor, o dinheiro e o trabalho, est\u00e3o implicados totalmente \u2013 j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta, que foram parciais, enquanto esta poder\u00e1 ser total!\u201d.<\/p>\n<p><b>Menegat<\/b>\u00a0aponta que o dado mais relevante que emana da an\u00e1lise da<b>\u00a0hist\u00f3ria recente do Brasil<\/b>\u201c\u00e9 o desastre social medido em termos de desemprego \u2013 sem esquecer o subemprego e todas as modalidades de precariza\u00e7\u00e3o \u2013 e a\u00a0<b>viol\u00eancia<\/b>\u00a0assombrosa presente nos n\u00fameros de homic\u00eddios e presos, nas guerras di\u00e1rias em bairros da periferia que impedem que crian\u00e7as possam estudar\u201d. Para ele, \u201cs\u00f3 considera que vivemos um tempo n\u00e3o catastr\u00f3fico quem vive numa\u00a0<b>bolha<\/b>\u201d. Ao aprofundar o entendimento dessa bolha, diz que \u201cter um emprego com direitos assegurados se tornou um privil\u00e9gio\u201d. E a\u00a0<b>esquerda tradicional<\/b>, \u201cque tem seu ethos nesta bolha\u201d, para ela se trata de lutar por \u201cnem um direito a menos\u201d. Por outro lado, \u201cpara a massa deserdada do lado de fora desta bolha, a realidade crua \u00e9 que o mundo do trabalho n\u00e3o tem mais vagas, e os direitos s\u00e3o uma garantia de previsibilidade que nunca houve em suas vidas\u201d.<\/p>\n<p><b>Menegat<\/b>\u00a0projeta que, at\u00e9 2025, \u201cos efeitos da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, juntamente com os novos cap\u00edtulos da crise global, tornar\u00e3o o cotidiano de nossas vidas um verdadeiro inferno, dessa vez para um n\u00famero muito maior de pessoas\u201d. Ele cogita que a\u00a0<b>esquerda<\/b>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 entendendo isso, \u201cportanto, \u00e9 prov\u00e1vel que, como em 2013, fique desarmada (ou alarmada?) diante do caos\u201d.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i.paste.pics\/8ddf6470d3fc20e38e495022aa4f2f17.png?w=640&#038;ssl=1\"  \/><i>Marildo Menegat (IEA-USP)<\/i><\/p>\n<p><b>Marildo Menegat<\/b>\u00a0\u00e9 graduado, mestre e doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ. Realizou est\u00e1gio p\u00f3s-doutoral na Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP. \u00c9 professor no N\u00facleo de Estudos de Pol\u00edticas P\u00fablicas em Direitos Humanos da UFRJ.<\/p>\n<p><i><b>A entrevista foi publicada originalmente em Not\u00edcias do Dia em 17-7-2018.<\/b><\/i><\/p>\n<p><b>Confira a entrevista.<\/b><\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 Como observa os impactos da chamada Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 na sociedade de nosso tempo, especialmente no mundo do trabalho?<\/b><\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0Poder\u00edamos come\u00e7ar com esta express\u00e3o: \u201c<b>mundo do trabalho<\/b>\u201d; ela denota um mundo apartado da vida que tem sua origem hist\u00f3rica no\u00a0<b>capitalismo<\/b>. Ao mesmo tempo, o trabalho \u00e9 uma categoria fundamental da economia, que \u00e9, na verdade, esta esfera total separada da vida e que a determina. A g\u00eanese desta esfera foi o processo de viol\u00eancia espantosa da acumula\u00e7\u00e3o primitiva de capital. Neste processo, iniciado na\u00a0<b>Europa<\/b>\u00a0entre os s\u00e9culos XIV e XVI, houve a imposi\u00e7\u00e3o brutal desta atividade como forma b\u00e1sica da socializa\u00e7\u00e3o das modernas sociedades produtoras de mercadorias. Se se for al\u00e9m do momento fundamentalista dos debates sobre o trabalho, frequente no campo do marxismo tradicional e do\u00a0<b>pensamento liberal<\/b>\u00a0iluminista, se poder\u00e1 observar que esta categoria n\u00e3o define nada al\u00e9m de uma atividade abstrata objetivada da produ\u00e7\u00e3o de valor, que \u00e9 essencial para a sustenta\u00e7\u00e3o e continuidade da din\u00e2mica e do sentido desta sociedade, que se resume na transforma\u00e7\u00e3o de dinheiro em mais dinheiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, desta maneira, nenhuma diferencia\u00e7\u00e3o qualitativa, no essencial, nas diferentes modalidades desta atividade. Tanto faz se se gasta energia humana produzindo p\u00e3o, cadernos ou bombas nucleares. Em todas elas, o centro que as organiza n\u00e3o s\u00e3o as necessidades humanas, mas a necessidade imperativa de\u00a0<b>valoriza\u00e7\u00e3o do capital<\/b>, que, como disse Marx [1], \u00e9 \u201co sujeito autom\u00e1tico do processo social\u201d, portanto, uma estrutura impessoal (e cega) de domina\u00e7\u00e3o. Marx diz tamb\u00e9m que o\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0\u00e9 a \u2018verdadeira barreira da produ\u00e7\u00e3o capitalista\u2019. Com isso ele assinalava o fato de que apenas o trabalho vivo produz mais valor, mas, contraditoriamente, o regime de concorr\u00eancia do capitalismo obriga os capitais individuais a reduzirem custos permanentemente. As\u00a0<b>transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas<\/b>, quando s\u00e3o de largas propor\u00e7\u00f5es e mudam a matriz dos processos de produ\u00e7\u00e3o, fazem isso expelindo \u2018do mundo do trabalho\u2019 grandes quantidades de for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o 4.0<\/b>\u00a0\u00e9 um aprofundamento da\u00a0<b>Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Tecnocient\u00edfica<\/b>, a da microeletr\u00f4nica. Ela amplia solu\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em alguns pontos que n\u00e3o eram ainda suficientemente rent\u00e1veis para o\u00a0<b>capital<\/b>, quando essa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica iniciou-se nos anos 1950-60. A automa\u00e7\u00e3o da\u00a0<b>f\u00e1brica fordista<\/b>\u00a0come\u00e7ou com a elabora\u00e7\u00e3o em tempo real por meio de mecanismos eletr\u00f4nicos de boa parte das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao processo de produ\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1980, ela j\u00e1 era dominante na\u00a0<b>ind\u00fastria automobil\u00edstica<\/b>\u00a0em pa\u00edses como o\u00a0<b>Jap\u00e3o<\/b>. Mas ainda faltava se desenvolver o rob\u00f4, que poderia ser definido como uma m\u00e1quina com \u2018\u00f3rg\u00e3os de sentidos e\u00a0<b>intelig\u00eancia artificial<\/b>\u2019. Essas m\u00e1quinas \u2013 que parecem \u2018quase humanos\u2019 \u2013 s\u00e3o o eixo central da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0.<\/p>\n<p>A automa\u00e7\u00e3o da fase anterior j\u00e1 colocara o \u2018<b>mundo do trabalho<\/b>\u2019 de joelhos, produziu no planeta inteiro o que a sociologia chamou de desemprego estrutural. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do\u00a0<b>capitalismo<\/b>, se havia chegado a um limite absoluto na capacidade de o sistema criar empregos produtivos \u2013 que s\u00e3o os que contam para a valoriza\u00e7\u00e3o do valor. As\u00a0<b>taxas de desemprego<\/b>passaram a ser muito altas. Diante deste fato, num primeiro momento, os governos mexeram nos m\u00e9todos de produzir as estat\u00edsticas. Formas de trabalho tempor\u00e1rio, bicos e empregos degradantes, que na fase anterior de expans\u00e3o do capitalismo n\u00e3o eram considerados empregos, passaram a ser agora uma mistura de empreendedorismo com emprego por conta pr\u00f3pria! Essas estat\u00edsticas se fixam em perguntar se voc\u00ea tem alguma fonte de renda, n\u00e3o importa em que condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, somente isso n\u00e3o bastou. Foram necess\u00e1rias outras passadas de lebre, como o esfor\u00e7o permanente de se empurrar as mulheres para o espa\u00e7o dom\u00e9stico, que voltou \u00e0 cena no mundo inteiro. Basta prestar aten\u00e7\u00e3o na captura que deste fato fazem os\u00a0<b>pol\u00edticos de extrema direita<\/b>.<\/p>\n<p>No\u00a0<b>Brasil<\/b>\u00a0dos anos lulo-petistas, uma pesquisa mais rigorosa em suas perguntas demonstrou que 39% da\u00a0<b>Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa<\/b>\u00a0n\u00e3o trabalhava. As m\u00e3es cuidavam da casa e dos filhos, e estes estudavam at\u00e9 mais tarde \u2013 sem se falar dos que nem trabalhavam nem estudavam. Com isso, os<b>\u00a0\u00edndices de desemprego<\/b>\u00a0andaram em baixa, pois essas pessoas pararam de procurar empregos e de pressionar as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pergunta sobre os impactos de uma mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica que finalmente poder\u00e1\u00a0<b>substituir o trabalho humano<\/b>\u00a0em larga escala em atividades antes t\u00e3o especializadas, como pilotar um avi\u00e3o ou atender a uma reclama\u00e7\u00e3o de um cliente por telefone, ou mesmo operar m\u00e1quinas flex\u00edveis de m\u00faltiplas tarefas numa linha de produ\u00e7\u00e3o de celulares. Ser\u00e1 um desastre que provavelmente n\u00e3o se completar\u00e1 em toda sua\u00a0<b>potencialidade tecnocient\u00edfica<\/b>. O pr\u00f3prio\u00a0<b>capitalismo<\/b>, como sujeito autom\u00e1tico, afundar\u00e1 totalmente na cat\u00e1strofe \u2018algumas horas antes\u2019, por falta de condi\u00e7\u00f5es para continuar simulando, por meio do<b>\u00a0sistema financeiro<\/b>, a produ\u00e7\u00e3o especulativa de novos valores que sustentariam artificialmente estas f\u00e1bricas sem trabalho \u2013 observe a invers\u00e3o sobre a qual a economia se segura (por um fio) desde os anos 1980. Tampouco este processo de colapso ser\u00e1 uma novidade, pois j\u00e1 est\u00e1 em curso h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>O que teremos na pr\u00f3xima d\u00e9cada \u00e9 a sua acelera\u00e7\u00e3o. Para se entender isso, \u00e9 necess\u00e1rio explicar muito rapidamente a crise em que o\u00a0<b>capitalismo<\/b>\u00a0entrou desde os anos 1970, justamente quando a\u00a0<b>revolu\u00e7\u00e3o microeletr\u00f4nica<\/b>come\u00e7ou a impactar negativamente na produ\u00e7\u00e3o absoluta de valor.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, esses sintomas come\u00e7aram a aparecer entre 1971 e 75, quando o marco sinalizador deste colapso se mostrou como uma virada epocal, com a sequ\u00eancia que vai do fim do Acordo de Bretton Woods [2] \u00e0 crise do petr\u00f3leo e, desta, \u00e0 primeira grande recess\u00e3o mundial depois de 1929, em 1974-75. Depois disso, a hist\u00f3ria social do capitalismo foi uma ladeira abaixo dos padr\u00f5es civilizat\u00f3rios m\u00ednimos que tinha acumulado no p\u00f3s-Guerra. Pa\u00edses inteiros, como a\u00a0<b>URSS<\/b>, o\u00a0<b>Brasil<\/b>, o\u00a0<b>M\u00e9xico<\/b>\u00a0etc., entraram em fal\u00eancia. N\u00e3o se trata de mais uma das<b>\u00a0crises de superacumula\u00e7\u00e3o<\/b>, mas da crise em que se apresentou o limite l\u00f3gico interno do\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0e que o impede de continuar produzindo mais valor (Kurz) [3]. O\u00a0<b>capitalismo<\/b>eliminou demasiadamente\u00a0<b>trabalho produtivo<\/b>\u00a0e perdeu a fonte excelsa de sua exist\u00eancia. Era nisto que consistia a afirma\u00e7\u00e3o de\u00a0<b>Marx<\/b>\u00a0de que \u2018o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista encontra no desenvolvimento das for\u00e7as produtivas uma barreira que nada tem a ver com a produ\u00e7\u00e3o de riqueza enquanto tal\u2019.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 De que forma as revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas impactam o capitalismo?<\/b><\/p>\n<p>At\u00e9 2025, os efeitos da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, juntamente com os novos cap\u00edtulos da crise global, tornar\u00e3o o cotidiano de nossas vidas um verdadeiro inferno, dessa vez para um n\u00famero muito maior de pessoas &#8211; Marildo Menegat<\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0O capitalismo \u00e9 empurrado a revolucionar permanentemente a\u00a0<b>t\u00e9cnica<\/b>\u00a0por raz\u00f5es sist\u00eamicas. Estas revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o consequ\u00eancias do regime de concorr\u00eancia. Ao mesmo tempo que elas empurram o\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0para superar suas barreiras internas da\u00a0<b>acumula\u00e7\u00e3o<\/b>, depois de um certo tempo elas criam barreiras maiores e intranspon\u00edveis para esta mesma acumula\u00e7\u00e3o. A concorr\u00eancia se realiza por meio da apropria\u00e7\u00e3o do mais valor produzido por capitalistas individuais, mas, paradoxalmente, quanto menos trabalho vivo este capitalista usa para produzir suas mercadorias, maior ser\u00e1 o lucro que ele ir\u00e1 obter no mercado. Por outro lado, o capitalista individual que usa maior quantidade de trabalho vivo (e produz quantidade maior de mais valor) corre o risco de perder a competi\u00e7\u00e3o devido aos altos custos de seus produtos, por isso ele \u00e9 levado a se igualar ou superar seu concorrente com novas tecnologias \u2013 caso contr\u00e1rio, ir\u00e1 \u00e0 fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto mais os\u00a0<b>capitais individuais<\/b>\u00a0s\u00e3o impelidos a poupar trabalho por meio da t\u00e9cnica, menos valor o capital na sua totalidade ir\u00e1 produzir.\u00a0<b>Natalie Moszkowska<\/b>\u00a0[4] mostrou que, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para a mudan\u00e7a de um paradigma tecnol\u00f3gico estejam dadas, esta mudan\u00e7a apenas ser\u00e1 efetivada se houver ao fim a garantia do capital fazer uma economia no m\u00ednimo igual ao seu custo. Dessa forma, ao t\u00e9rmino de cada onda de<b>acumula\u00e7\u00e3o de capital<\/b>, tivemos uma grande\u00a0<b>crise de superacumula\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0e o in\u00edcio de uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que iria mudar o patamar da taxa de extra\u00e7\u00e3o do mais valor (ou de sua massa) e procurar, com isso, inverter a tend\u00eancia de queda da taxa de lucro ent\u00e3o em curso. A\u00a0<b>t\u00e9cnica<\/b>\u00a0\u00e9 um dos elementos essenciais neste processo.<\/p>\n<p>O primeiro campo em que estas novas tecnologias impactam \u00e9 no seu uso na inova\u00e7\u00e3o dos processos de produ\u00e7\u00e3o. A\u00a0<b>Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica<\/b>, iniciada no fim do s\u00e9culo XIX, ao generalizar o uso dos motores el\u00e9tricos e a combust\u00e3o, expulsaram enormes quantidades de trabalhadores das linhas de produ\u00e7\u00e3o. Este\u00a0<b>desemprego massivo<\/b>\u00a0pode ser acompanhado pela hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o europeia para outros continentes neste per\u00edodo. Pa\u00edses que se industrializavam justamente durante a segunda onda industrializante, forjada por estas novas t\u00e9cnicas, expatriaram grandes contingentes de sobrepopula\u00e7\u00e3o.\u00a0<b>It\u00e1lia<\/b>,\u00a0<b>Jap\u00e3o<\/b>,\u00a0<b>Alemanha<\/b>\u00a0\u2013 em menores propor\u00e7\u00f5es \u2013 ajudaram a criar as condi\u00e7\u00f5es de pa\u00edses como os\u00a0<b>Estados Unidos<\/b>formarem um ex\u00e9rcito industrial de reserva, que tornou vi\u00e1vel a implementa\u00e7\u00e3o dos novos m\u00e9todos de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho elaborados por\u00a0<b>Taylor<\/b>\u00a0e, posteriormente, aprofundados por\u00a0<b>Ford<\/b>.<\/p>\n<p>Este processo poderia ter findado na grande\u00a0<b>crise geral do capitalismo<\/b>\u00a0entre 1914-45. Por\u00e9m, como estas t\u00e9cnicas, num segundo momento, s\u00e3o usadas na inova\u00e7\u00e3o de produtos, criando novos ramos de produ\u00e7\u00e3o e permitindo ao capital novas oportunidades de investimentos, com retornos muito lucrativos \u2013 como foi o caso da massifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, dos eletrodom\u00e9sticos e toda produ\u00e7\u00e3o de infraestrutura necess\u00e1ria para manter vi\u00e1vel a expans\u00e3o do uso destes novos produtos, como, por exemplo, as autoestradas ou hidrel\u00e9tricas ou a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo \u2013, foi poss\u00edvel se evitar o colapso e realizar uma imponente expans\u00e3o da economia \u2013 que, diga-se de passagem, justamente chegou ao fim no in\u00edcio dos anos 1970.<\/p>\n<p>Neste segundo momento do processo, o de inova\u00e7\u00e3o dos produtos, se tende a reabsorver parte da massa de trabalhadores dispensada anteriormente durante a inova\u00e7\u00e3o do processo de produ\u00e7\u00e3o. No caso do\u00a0<b>fordismo<\/b>, estas transforma\u00e7\u00f5es foram t\u00e3o profundas e exigiram tanta destrui\u00e7\u00e3o para se efetivarem que, de fato, produziram uma mudan\u00e7a no modo de vida das sociedades que passaram por essa\u00a0<b>moderniza\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0\u2013 basta lembrar que o fordismo foi introduzido na\u00a0<b>Alemanha<\/b>, de maneira mais substantiva, durante o\u00a0<b>nazismo<\/b>, na\u00a0<b>R\u00fassia<\/b>\u00a0ap\u00f3s a\u00a0<b>revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica<\/b>\u00a0[5], especialmente no per\u00edodo stalinista, e, no\u00a0<b>Brasil<\/b>, durante a ditadura do\u00a0<b>Estado Novo<\/b>\u00a0[6], depois completado pela outra ditadura civil-militar [7], ap\u00f3s 1964. Veja, estas\u00a0<b>revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas<\/b>\u00a0impactam n\u00e3o apenas a acumula\u00e7\u00e3o de capital como transtornam destrutivamente a vida social.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 Imaginava-se que uma grande transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica seria capaz de melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que temos visto, pelo contr\u00e1rio: jornadas ainda mais exaustivas e uso da tecnologia para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de restringir o acesso ao emprego a quem \u00e9 menos preparado para esse mundo. Quais os desafios para reverter esse quadro?<\/b><\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0As ideologias da sociedade burguesa procuram adaptar as ideias \u00e0s necessidades do\u00a0<b>capital<\/b>. O\u00a0<b>conceito de progresso<\/b>, por exemplo, \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o niilista, um vazio total de sentido, mas moveu mais montanhas do que Maom\u00e9 poderia desconfiar. A m\u00e1quina fascina o ide\u00e1rio social desde o s\u00e9culo XIX. Poucos, no entanto, pensaram criticamente a sua origem. Este mecanismo n\u00e3o tem a finalidade de melhorar a vida dura do trabalhador, seja nas profundezas das minas de carv\u00e3o, onde ela come\u00e7ou a ser usada para bombear a \u00e1gua que impedia de se adentrar mais um pouco nas entranhas escuras da terra para extrair carv\u00e3o, ou na ind\u00fastria t\u00eaxtil. Sua fun\u00e7\u00e3o foi, desde sempre, como disse\u00a0<b>Marx<\/b>, um \u201cmeio de produ\u00e7\u00e3o de mais-valia\u201d.<\/p>\n<p>Se naturalizarmos o trabalho, que \u00e9 um fundamento hist\u00f3rico da sociedade capitalista \u2013 e apenas dela \u2013, tenderemos a achar que a t\u00e9cnica sorri para o trabalhador, pois sempre requerer\u00e1 menos da sua for\u00e7a e aten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao fim implicar na impossibilidade de este encontrar um emprego. Ela pode inclusive ajud\u00e1-lo a n\u00e3o sofrer acidentes graves, como queimaduras em aciarias, mas esta naturaliza\u00e7\u00e3o seria um horizonte cultural demasiadamente pobre e acr\u00edtico.<\/p>\n<p>No essencial, a t\u00e9cnica aumentou loucamente o sofrimento ps\u00edquico necess\u00e1rio para os indiv\u00edduos se adaptarem \u00e0s suas tarefas e ao mundo que dela resulta. Um exemplo limite s\u00e3o os trabalhadores de usinas nucleares que manuseiam o lixo radioativo, ou os trabalhadores agr\u00edcolas que precisam manusear venenos altamente t\u00f3xicos. Nenhuma destas t\u00e9cnicas melhoram a vida, mas ambas contribuem para que o processo de\u00a0<b>destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do planeta<\/b>\u00a0seja irrevers\u00edvel. Seria uma estupidez discutirmos estes temas em termos de mais ou menos ou melhores empregos, quando no\u00a0<b>capitalismo<\/b>todo emprego, como disse acima, tem apenas a finalidade de\u00a0<b>acumular o capital<\/b>.<\/p>\n<p>Se olharmos para estes fen\u00f4menos a partir de uma perspectiva cr\u00edtica dos\u00a0<b>fundamentos do capital<\/b>, n\u00e3o h\u00e1 por que querer melhorar o trabalho. Antes, o urgente seria super\u00e1-lo como atividade insana que tem levado a humanidade a saltar num abismo sem volta. As teorias do antropocenomostram que o<b>\u00a0impacto destrutivo do capitalismo<\/b>\u00a0\u2013 e nisto seus fundamentos, como o valor, o dinheiro e o trabalho, est\u00e3o implicados totalmente \u2013 j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta, que foram parciais, enquanto esta poder\u00e1 ser total!<\/p>\n<p>Um outro aspecto em que as\u00a0<b>transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas<\/b>\u00a0produzem um impacto regressivo \u00e9 na\u00a0<b>sociabilidade<\/b>. Como essas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o determinadas por raz\u00f5es sist\u00eamicas, tais como o regime de competi\u00e7\u00e3o e o estado que este atingiu historicamente, elas v\u00e3o influir na socializa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que esta, no\u00a0<b>capitalismo<\/b>, se funda na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, o que exige que todos se transformem em<b>\u00a0sujeitos monet\u00e1rios<\/b>\u00a0(<b>Kurz<\/b>). Contudo, tal imposi\u00e7\u00e3o, realizada por meio do trabalho, entrou em crise junto com o\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0no fim do s\u00e9culo XX, e o desenvolvimento das t\u00e9cnicas da\u00a0<b>microeletr\u00f4nica<\/b>\u00a0est\u00e3o na origem deste fato.<\/p>\n<p>A partir deste momento, todas as conquistas de direitos come\u00e7aram a ser amea\u00e7adas. A reprodu\u00e7\u00e3o social se tornou um gigantesco estorvo para uma economia incapaz de ampliar a base da produ\u00e7\u00e3o de valor e, no mesmo ato, ficou fortemente reticente em permitir aumentos de impostos para sustentar e ampliar estes direitos. Desde ent\u00e3o, o mundo do trabalho colapsado passou a ser uma sucursal do horror que assola a sociedade na sua totalidade. Dentro de uma f\u00e1brica ou em qualquer posto de trabalho, a press\u00e3o para manter a fonte de\u00a0<b>monetariza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos<\/b>\u00a0\u00e9 um sarc\u00e1stico sistema de sacrif\u00edcios, cada vez mais inconceb\u00edvel e insuport\u00e1vel, enquanto no lado de fora das empresas, para a massa de desempregados, a vida simplesmente acabou \u2013 ao menos nos moldes de uma sociabilidade fundada no valor.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 As lutas por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho sempre foram pauta da chamada esquerda. No contexto da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, a esquerda compreendeu a emerg\u00eancia da atualiza\u00e7\u00e3o dessa sua luta?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel agirmos dentro de um quadro de refer\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es sociais que est\u00e3o desmoronando, achando que est\u00e1 tudo bem, como se nada de muito grave estivesse acontecendo &#8211; Marildo Menegat<\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0O que era a\u00a0<b>esquerda<\/b>\u00a0nas manifesta\u00e7\u00f5es de Junho de 2013? A esquerda tradicional \u2013 entendida na chave conceitual (cr\u00edtica) proposta por\u00a0<b>Postone<\/b>\u00a0[8] \u2013 chegou tarde \u00e0 avenida. Talvez porque as reivindica\u00e7\u00f5es, o modo de organiza\u00e7\u00e3o do\u00a0<b>MPL<\/b>\u00a0[Movimento Passe Livre] \u2013 um grupo autonomista, a l\u00e9guas de qualquer manual leninista \u2013 e o p\u00fablico a quem era dirigido o protesto criavam dificuldades de serem apreendidos numa l\u00f3gica de luta de classes. Principalmente depois dos \u201820 centavos a menos\u2019 n\u00e3o serem mais a raz\u00e3o dos protestos. Esta esquerda estava deslumbrada com o Estado, convencida de uma sobreavalia\u00e7\u00e3o do legado dos\u00a0<b>governos lulo-petistas<\/b>, e considerava que as massas estavam satisfeitas com as conquistas desse per\u00edodo. Portanto, se n\u00e3o h\u00e1 uma crise social grave nos moldes do mundo do trabalho sob ataque, qual o sentido de protestos t\u00e3o amplos e difusos como os daquele momento? N\u00e3o obstante, esta foi a maior onda de manifesta\u00e7\u00f5es populares desde os anos 1980, e ela se deu durante um\u00a0<b>governo de esquerda<\/b>!<\/p>\n<p>Se analisarmos a hist\u00f3ria recente do\u00a0<b>Brasil<\/b>, o dado mais relevante \u00e9 o desastre social medido em termos de\u00a0<b>desemprego<\/b>\u00a0\u2013 sem esquecer o subemprego e todas as modalidades de precariza\u00e7\u00e3o \u2013 e a\u00a0<b>viol\u00eancia<\/b>\u00a0assombrosa presente nos n\u00fameros de homic\u00eddios e presos, nas guerras di\u00e1rias em bairros da periferia que impedem que crian\u00e7as possam estudar; enfim, s\u00f3 considera que vivemos um tempo n\u00e3o catastr\u00f3fico quem vive numa bolha.<\/p>\n<p>Pois bem, esta\u00a0<b>bolha<\/b>\u00a0pode ser habitada por uma esp\u00e9cie de privilegiados que n\u00e3o poderiam ter imaginado este inusitado destino anos atr\u00e1s. Mas a verdade \u00e9 que ter um emprego com direitos assegurados se tornou um privil\u00e9gio. Para a esquerda tradicional, que tem seu ethos nesta bolha, trata-se de lutar por \u2018nem um direito a menos\u2019. Mas para a massa deserdada do lado de fora desta bolha, a realidade crua \u00e9 que o\u00a0<b>mundo do trabalho<\/b>\u00a0n\u00e3o tem mais vagas, e os direitos s\u00e3o uma garantia de previsibilidade que nunca houve em suas vidas.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea insistir em reconstituir este mundo, a esta altura um ideal, de empregos e direitos, \u00e9 bom saber que a mat\u00e9ria que o sustentava, ou seja, a capacidade do\u00a0<b>capitalismo<\/b>\u00a0se expandir com vigor sob uma produ\u00e7\u00e3o real de novo valor por meio de empregos produtivos, se negar\u00e1 a ceder \u00e0s ordens do programa.<\/p>\n<p>Por isso, se criam dois universos. A ilha dos bem-aventurados, que querem eterno seu mundo \u2013 coxinhas \u00e0 frente (mas n\u00e3o somente, se me fa\u00e7o entender!) \u2013, e o continente dos desvalidos e outros tipos resultantes das desgra\u00e7as em curso. Por esta e outras, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel agirmos dentro de um quadro de refer\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es sociais que est\u00e3o desmoronando, achando que est\u00e1 tudo bem, como se nada de muito grave estivesse acontecendo.<\/p>\n<p>Desse modo, a fra\u00e7\u00e3o mortadela do embate cl\u00e1ssico que sucedeu aos acontecimentos de\u00a0<b>2013<\/b>\u00a0se aferra em defender as conquistas de governos que se pautaram em fazer o que eu chamo de uma bem sucedida \u2018<b>gest\u00e3o da barb\u00e1rie<\/b>\u2019. Para isso foram desenvolvidas t\u00e9cnicas de\u00a0<b>governabilidade social<\/b>(bolsa fam\u00edlia, programa de erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, pontos de cultura etc.) que poderiam ser pensadas como escoras para manter em p\u00e9 um mundo que desabou. Enquanto ainda h\u00e1 oxig\u00eanio na ilha dos bem aventurados, este setor mant\u00e9m sua solidariedade com os do continente selvagem, defendendo estas\u00a0<b>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/b>\u00a0que, por sinal, depois do estouro da verdadeira\u00a0<b>bolha<\/b>, a da especula\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os das commodities, que tornou vi\u00e1vel o \u2018nunca antes\u2019 dos governos de 2003 a 2012, estas pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o puderam mais ser sustentadas \u2013 o que explica a guinada do consenso anterior, no qual sequer existia oposi\u00e7\u00e3o, para a defesa aberta desta realidade temerosa e suas\u00a0<b>reformas regressivas<\/b>. At\u00e9 2025, os efeitos da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, juntamente com os novos cap\u00edtulos da crise global, tornar\u00e3o o cotidiano de nossas vidas um verdadeiro inferno, dessa vez para um n\u00famero muito maior de pessoas. N\u00e3o sei se a\u00a0<b>esquerda<\/b>est\u00e1 entendendo isso, portanto, \u00e9 prov\u00e1vel que, como em\u00a0<b>2013<\/b>, fique desarmada (ou alarmada?) diante do caos.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 Todas as revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas promoveram rupturas e mudaram as formas de vida em sociedade. Mas, nesse aspecto, no que as transforma\u00e7\u00f5es advindas da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 se diferenciam das revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas anteriores?<\/b><\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0A<b>\u00a0inova\u00e7\u00e3o do processo de produ\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0que a microeletr\u00f4nica criou, ainda no final do s\u00e9culo XX, expulsou do\u00a0<b>mundo do trabalho<\/b>\u00a0um contingente gigantesco de pessoas. No segundo momento, o da inova\u00e7\u00e3o de produtos que esta t\u00e9cnica possibilitava, como a produ\u00e7\u00e3o de computadores, celulares e todo tipo de m\u00e1quinas da\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0agora chamada de<b>\u00a04.0<\/b>, n\u00e3o houve condi\u00e7\u00f5es para se absorver mais do que uma min\u00fascula fra\u00e7\u00e3o dessa\u00a0<b>massa dispensada<\/b>no momento anterior. Todos estes produtos novos s\u00e3o fabricados com m\u00e1quinas que utilizam estas tecnologias superpoupadoras de for\u00e7a de trabalho. Diferente do\u00a0<b>fordismo<\/b>, essas mudan\u00e7as n\u00e3o criaram mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o capazes de evitar a tend\u00eancia de crise do capitalismo, abrindo uma longa onda de expans\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o. As distopias de fic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ao estilo de\u00a0<b>Philip Dick<\/b>\u00a0[9] tornaram-se atuais: ferramentas high-tech em plena barb\u00e1rie.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 Quais os limites de apostar no trabalho como uma forma de humaniza\u00e7\u00e3o e de fazer frente ao avan\u00e7o maqu\u00ednico da tecnologia sobre a vida?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se a esquerda est\u00e1 entendendo isso, portanto, \u00e9 prov\u00e1vel que, como em 2013, fique desarmada (ou alarmada?) diante do caos &#8211; Marildo Menegat<\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0<b>Marx<\/b>\u00a0fala de um necess\u00e1rio metabolismo entre sociedade e natureza. O\u00a0<b>marxismo tradicional<\/b>, seguindo seu modelo, que \u00e9 o\u00a0<b>Iluminismo<\/b>\u00a0\u2013 lembrando que este foi a forma mais elevada do pensamento burgu\u00eas \u2013, compreendeu esta quest\u00e3o de modo trans-hist\u00f3rico, tomando o trabalho da sociedade moderna como atividade universal existente desde sempre em todas as sociedades anteriores e, por conseguinte, eixo central de constru\u00e7\u00e3o do\u00a0<b>socialismo<\/b>. Mas o trabalho, como explica\u00a0<b>Marx<\/b>\u00a0no car\u00e1ter fetichista da mercadoria, \u00e9 uma atividade abstrata caracter\u00edstica do capitalismo, que torna poss\u00edvel a media\u00e7\u00e3o social \u2018na forma fantasmag\u00f3rica de uma rela\u00e7\u00e3o entre coisas\u2019. O fetichismo que adere aos produtos do trabalho n\u00e3o \u00e9 uma ideologia, no sentido de uma falsa consci\u00eancia, mas a pr\u00f3pria forma objetivada desta atividade. Portanto, se esta atividade, que \u00e9 um dos fundamentos da sociedade produtora de mercadorias, n\u00e3o for negada radicalmente, continuaremos a viver num tempo em que \u2018as coisas governar\u00e3o os homens\u2019, e todos os horrores dos movimentos inconscientes do \u2018sujeito autom\u00e1tico\u2019 ser\u00e3o l\u00f3gica e historicamente necess\u00e1rios, inclusive o fim do mundo \u2013 para onde nos encaminhamos.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e0 t\u00e9cnica sempre gozou de pouco prest\u00edgio no\u00a0<b>Ocidente<\/b>. Os indiv\u00edduos completamente assujeitados \u00e0s leis da economia pol\u00edtica t\u00eam dificuldades de pensar para fora da gaiola de a\u00e7o que os protege de um mundo melhor. N\u00e3o se trata de uma cr\u00edtica \u00e0 t\u00e9cnica\u00a0<i>tout court<\/i>, mas de um crit\u00e9rio radical para se pensar o que dela ainda pode sustentar a emancipa\u00e7\u00e3o humana. At\u00e9 hoje, a t\u00e9cnica esteve totalmente submetida \u00e0s necessidades do\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0e, portanto, foi muito mais um fator de produ\u00e7\u00e3o de mais-valia do que uma for\u00e7a emancipat\u00f3ria. Em outras palavras, ela foi um instrumento de destrui\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o imanente ao mundo do trabalho, e n\u00e3o uma for\u00e7a impulsionadora de uma revolu\u00e7\u00e3o contra o trabalho.<\/p>\n<p>Voc\u00ea fala em \u2018avan\u00e7o maqu\u00ednico sobre a vida\u2019. Fico pensando o qu\u00e3o distante de uma reflex\u00e3o<b>cr\u00edtica da esquerda<\/b>\u00a0est\u00e3o as experi\u00eancias do socialismo real, em que este avan\u00e7o produziu uma modalidade de vida moderna soterrada no mais violento t\u00e9dio, quando n\u00e3o, em t\u00e9dio, medo e exterm\u00ednio em massa. A escritora russa\u00a0<b>Svetlana Aleksi\u00e9vitch<\/b>\u00a0[10], no seu livro\u00a0<b>O fim do homem sovi\u00e9tico<\/b>\u00a0[Companhia das Letras, 2013], traz testemunhos dessa experi\u00eancia de tirar o f\u00f4lego, que n\u00e3o podemos deixar que se tornem obscuros novamente. Uma cr\u00edtica ao\u00a0<b>capitalismo<\/b>\u00a0n\u00e3o pode ser feita a partir da absurda proposi\u00e7\u00e3o de que este impede o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, mas de que estas, assim como o sentido geral da sociedade moderna, \u00e9 uma poderosa for\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o contra a qual a humanidade precisa urgentemente se levantar.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 A Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 coloca em xeque conceitos como liberdade, tornando os seres humanos cada vez menos autodeterminados? De que forma?<\/b><\/p>\n<p>Uma cr\u00edtica ao capitalismo n\u00e3o pode ser feita a partir da absurda proposi\u00e7\u00e3o de que este impede o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, mas de que estas, assim como o sentido geral da sociedade moderna, \u00e9 uma poderosa for\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o contra a qual a humanidade precisa urgentemente se levantar &#8211; Marildo Menegat<\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0Um dos mitos fundadores do pensamento de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida da sociedade moderna \u00e9 o de\u00a0<b>livre arb\u00edtrio<\/b>. Spinoza[11], muito lucidamente, mostrou que esta fic\u00e7\u00e3o formulada por\u00a0<b>Descartes<\/b>[12] era uma perda de realidade, e n\u00e3o a compreens\u00e3o mais ampliada da nova realidade. Mas havia no fundo algo novo e dif\u00edcil de ser expresso conceitualmente na experi\u00eancia daquele tempo, que ambos autores procuraram entender: como explicar esta estrutura oculta que dominava a vida social?<\/p>\n<p>Na nascente sociedade produtora de mercadorias, este dom\u00ednio condicionava violentamente o espa\u00e7o de escolhas dos indiv\u00edduos. Tal condicionamento obedecia a uma forma impessoal que, na falta de conceitos mais claros, ambos chamaram \u2013 ao seu modo \u2013 de o mundo criado por Deus. A diferen\u00e7a deste conceito em\u00a0<b>Descartes<\/b>\u00a0e Spinoza ocorre porque aquele tomou o mundo condicionado na perspectiva do dinheiro, e teorizou as condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de exist\u00eancia do\u00a0<b>sujeito monet\u00e1rio<\/b>\u00a0(que, n\u00e3o por acaso, \u00e9 o sujeito da modernidade). O dinheiro \u2013 que \u00e9 a ess\u00eancia do capital e possui as mesmas caracter\u00edsticas de onipot\u00eancia, onipresen\u00e7a etc. que um dia o conceito de Deus tamb\u00e9m possuiu \u2013, na apar\u00eancia, permite um espa\u00e7o de escolhas \u2013 falso, diga-se desde j\u00e1 \u2013 que torna a liberdade uma de suas virtudes, no entanto, compartilhada apenas com quem o possui particularmente. Mas o dinheiro, depois de passar pela necess\u00e1ria encarna\u00e7\u00e3o no mundo dos homens, precisa voltar ao seu movimento teleol\u00f3gico de se multiplicar abstratamente \u2013 movimento este que submete o destino de todos, tenham eles dinheiro ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Observe como h\u00e1 uma teologia negativa por detr\u00e1s das leis da economia pol\u00edtica, que permite o que\u00a0<b>Alfred Sohn-Rethel<\/b>\u00a0[13] fez, que foi demonstrar o quanto as\u00a0<b>categorias da filosofia moderna<\/b>, em particular a\u00a0<b>kantiana<\/b>, s\u00e3o oriundas das formas abstratas das rela\u00e7\u00f5es sociais \u2013 justamente aquelas que se realizam por meio de coisas e, para isso, devem abstrair a exist\u00eancia de seres humanos concretos que se encontram diante destas rela\u00e7\u00f5es. No capitalismo, em que as leis do capital s\u00e3o este modo de domina\u00e7\u00e3o impessoal, com leis f\u00e9rreas pr\u00f3prias (<b>Postone<\/b>), falar de liberdade em abstrato \u00e9 repetir\u00a0<b>Descartes<\/b>e esperar milagres do livre arb\u00edtrio. Este foi um problema filos\u00f3fico importante tamb\u00e9m para Hegel. De um lado ele repetiu Descartes: a sociedade burguesa tende a ser formalmente uma sociedade de homens e mulheres livres (desde que tenham dinheiro ou alguma mercadoria para vender \u2013 como a for\u00e7a de trabalho), mas, por outro lado, como n\u00e3o concordar com\u00a0<b>Spinoza<\/b>\u00a0de que nossos atos s\u00e3o frequentemente alheios \u00e0 vontade e \u00e0 compreens\u00e3o \u00faltima de seu sentido, impelidos por imperativos objetivados nas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais? Movidos por delibera\u00e7\u00f5es individualistas, como estamos certos de que o seu resultado ser\u00e1 o\u00a0<b>bem comum<\/b>, que, na chave do fil\u00f3sofo alem\u00e3o, significa um mundo mais racional?<\/p>\n<p><b>Hegel<\/b>\u00a0[14] tentou salvar o mito da liberdade do indiv\u00edduo na sociedade burguesa, mesmo que ao pre\u00e7o de reconhecer o fen\u00f4meno da aliena\u00e7\u00e3o, que para ele era um pre\u00e7o necess\u00e1rio a ser pago por tal conquista hist\u00f3rica. Lembro muito sumariamente que\u00a0<b>Marx<\/b>\u00a0iniciou sua\u00a0<b>teoria cr\u00edtica do capitalismo<\/b>\u00a0justamente se opondo a esta aprecia\u00e7\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o, nos conhecidos\u00a0<b>Manuscritos Econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos de 1844\u00a0<\/b>[15]. Para ele, a aliena\u00e7\u00e3o era um fen\u00f4meno negativo que colocava em quest\u00e3o a concep\u00e7\u00e3o de que, na\u00a0<b>sociedade moderna<\/b>, somos livres. Na obra madura de Marx, a cr\u00edtica a esta condi\u00e7\u00e3o de i-liberdade \u00e9 um dos aspectos centrais e mais profundos de sua\u00a0<b>cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/b>. Portanto, se n\u00e3o aderimos \u00e0s ideologias de adapta\u00e7\u00e3o justificadoras deste tempo hist\u00f3rico, o capital \u00e9 uma forma de domina\u00e7\u00e3o inconsciente e, quando se fala de emancipa\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 contra esta forma hist\u00f3rica espec\u00edfica de domina\u00e7\u00e3o que a cr\u00edtica deve se dirigir.<\/p>\n<p>Dito isso, ainda resta compreendermos o papel particular da t\u00e9cnica na vigil\u00e2ncia e no controle da vida dos indiv\u00edduos. Se as rela\u00e7\u00f5es sociais j\u00e1 s\u00e3o de i-liberdade, este aparato t\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a, o que nos prende, mas o modo em que esta pris\u00e3o \u00e9 realizada na \u00e9poca do pleno desenvolvimento de suas for\u00e7as produtivas \u2013 que s\u00e3o, al\u00e9m de destrutivas, formas poderosas de controle. A\u00a0<b>intelig\u00eancia artificial<\/b>, que est\u00e1 sendo desenvolvida como parte da\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o 4.0<\/b>, precisa da contribui\u00e7\u00e3o inconsciente e volunt\u00e1ria de todas as pessoas para captar seus conte\u00fados. Ao usarem as redes sociais, todos est\u00e3o dando informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre suas vidas, seu entorno, suas ideias, seus h\u00e1bitos \u2013 que passam a ser \u2018previstos\u2019 pelo mercado e o Estado \u2013, enfim, criam os limites sobre os quais cada passo pode ser acompanhado pelo<i>\u00a0Big Brother<\/i>.<\/p>\n<p>Na cidade de\u00a0<b>Londres<\/b>, uma pessoa pode ser filmada at\u00e9 300 vezes ao longo do dia! Um celular no bolso \u00e9 garantia de localiza\u00e7\u00e3o imediata \u2013 n\u00e3o se assuste se gentilmente um aplicativo lhe sugerir \u2018uma paquera\u2019 que passou ao seu lado ou um restaurante para almo\u00e7ar na regi\u00e3o em que voc\u00ea passeia ou um museu para voc\u00ea exercitar pela en\u00e9sima vez a insensibilidade que este tipo de sociedade requer como uma premissa b\u00e1sica de sobreviv\u00eancia: estes s\u00e3o modos de demonstra\u00e7\u00e3o do sentido articulado entre i-liberdade das rela\u00e7\u00f5es sociais com t\u00e9cnicas refinad\u00edssimas de controle.<\/p>\n<p>Tenho acompanhado vez ou outra a\u00a0<b>esquerda tradicional<\/b>\u00a0exercitando seu desprezo pelo pensamento cr\u00edtico e requentando conceitos, como o de\u00a0<b>fascismo<\/b>. Mas veja,\u00a0<b>Hitler<\/b>\u00a0[16] n\u00e3o tinha na sua \u00e9poca um d\u00e9cimo desta parafern\u00e1lia que as democracias possuem hoje em dia. Um governo como o de\u00a0<b>Trump<\/b>\u00a0ou\u00a0<b>Putin<\/b>\u00a0j\u00e1 mostraram como s\u00e3o ativos no uso destas informa\u00e7\u00f5es para sustentar democraticamente seus\u00a0<b>regimes de exce\u00e7\u00e3o<\/b>. Nas den\u00fancias de Snowden [17], o\u00a0<b>governo de Obama<\/b>\u00a0n\u00e3o se sa\u00eda melhor. O estado de exce\u00e7\u00e3odesta \u00e9poca ser\u00e1 muito pior e mais destrutivo do que qualquer experi\u00eancia monstruosa do passado, e a t\u00e9cnica ser\u00e1 sua aliada, assim como todos os que com ela mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua.<\/p>\n<p><b>IHU On-Line \u2013 Essa revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que vivemos aumenta a barb\u00e1rie vivida ap\u00f3s a Modernidade? Como enfrentar esse estado de barb\u00e1rie?<\/b><\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial, que est\u00e1 sendo desenvolvida como parte da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, precisa da contribui\u00e7\u00e3o inconsciente e volunt\u00e1ria de todas as pessoas para captar seus conte\u00fados &#8211; Marildo Menegat<\/p>\n<p><b>Marildo Menegat \u2013<\/b>\u00a0Se n\u00e3o usarmos o\u00a0<b>conceito de barb\u00e1rie<\/b>\u00a0como mero adjetivo de coisas ruins que acontecem ou nos cercam, mas como um esfor\u00e7o de compreens\u00e3o substantiva da realidade, de sua din\u00e2mica cega de colapso, n\u00e3o a\u00a0<b>revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/b>\u00a0em si, mas ela como uma parte imanente da l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o de capital, isso aprofundar\u00e1 o processo de desintegra\u00e7\u00e3o em que vivemos, sem volta, desde o in\u00edcio de sua crise estrutural nos anos 1970. Uma sa\u00edda seria nos descondicionarmos o m\u00e1ximo poss\u00edvel desta forma social, pensando modos de sociabilidade que suprimam a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias e a necessidade imperativa de dinheiro. A transi\u00e7\u00e3o para este outro tipo de vida emancipada n\u00e3o poder\u00e1 se realizar pelos meios tradicionais da pol\u00edtica, entendida como a luta pelo poder do Estado, pois n\u00e3o h\u00e1 como se suprimir a\u00a0<b>domina\u00e7\u00e3o do capital<\/b>\u00a0sem se suprimir a forma de domina\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p><b>Marx<\/b>, ao comentar os acontecimentos da\u00a0<b>Comuna de Paris<\/b>\u00a0de 1871 [18], deu import\u00e2ncia central para as iniciativas de desmonte do aparato de poder apartado da sociedade. A ideia de uma sociedade autogovernada ainda pulsa forte em nossa \u00e9poca. O lugar da natureza, de objeto a ser dominado, no\u00a0<b>sociometabolismo do capital<\/b>, precisar\u00e1 ser revisto com muita radicalidade. A ruptura metab\u00f3lica que o\u00a0<b>capital<\/b>\u00a0produz em sua sujei\u00e7\u00e3o da natureza criou uma paisagem de destrui\u00e7\u00e3o que o m\u00e1ximo que poderemos fazer no futuro ser\u00e1 mitig\u00e1-la, na espera de que, como diz\u00a0<b>Andr\u00e9 Villar Gomez<\/b>\u00a0[19], uma consci\u00eancia de responsabilidade com um mundo a ser legado \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es nos fa\u00e7a ser capazes de nos modificarmos t\u00e3o profundamente que \u2018o tempo do fim\u2019 se torne finalmente um instante de lucidez incontorn\u00e1vel. Depois disso, o\u00a0<b>capitalismo<\/b>\u00a0precisar\u00e1 soar como o verdadeiro absurdo que \u00e9.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[1]\u00a0<b>Karl Marx<\/b>\u00a0(1818-1883): fil\u00f3sofo, cientista social, economista, historiador e revolucion\u00e1rio alem\u00e3o, um dos pensadores que exerceram maior influ\u00eancia sobre o pensamento social e sobre os destinos da humanidade no s\u00e9culo 20. A edi\u00e7\u00e3o 41 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Leda Maria Paulani, tem como t\u00edtulo\u00a0<i>A (anti)filosofia de Karl Marx<\/i>, dispon\u00edvel em http:\/\/bit.ly\/173lFhO. Tamb\u00e9m sobre o autor, a edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 278 da revista IHU On-Line, de 20-10-2008, \u00e9 intitulada\u00a0<i>A financeiriza\u00e7\u00e3o do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/7aYkWZ. A entrevista\u00a0<i>Marx: os homens n\u00e3o s\u00e3o o que pensam e desejam, mas o que fazem<\/i>, concedida por Pedro de Alc\u00e2ntara Figueira, foi publicada na edi\u00e7\u00e3o 327 da IHU On-Line, de 3-5-2010, dispon\u00edvel em http:\/\/bit.ly\/2p4vpGS. A IHU On-Line preparou uma edi\u00e7\u00e3o especial sobre desigualdade inspirada no livro de Thomas Piketty\u00a0<i>O Capital no S\u00e9culo XXI<\/i>, que retoma o argumento central de\u00a0<i>O Capital<\/i>, obra de Marx, dispon\u00edvel em http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/449. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<b>Confer\u00eancia de Bretton Woods<\/b>: nome com que ficou conhecida a Confer\u00eancia Monet\u00e1ria Internacional, realizada em Bretton Woods, no estado de New Hampshire, nos EUA, em julho de 1944. Representantes de 44 pa\u00edses participaram da confer\u00eancia. Nela foi planejada a recupera\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional depois da Segunda Guerra Mundial e a expans\u00e3o do com\u00e9rcio atrav\u00e9s da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e utiliza\u00e7\u00e3o de fundos. Os representantes dos pa\u00edses participantes concordaram em simplificar a transfer\u00eancia de dinheiro entre as na\u00e7\u00f5es, de forma a reparar os preju\u00edzos da guerra e prevenir as depress\u00f5es e o desemprego. Concordaram tamb\u00e9m em estabilizar as moedas nacionais, de forma que um pa\u00eds sempre soubesse o pre\u00e7o dos bens importados. A Confer\u00eancia de Bretton Woods tra\u00e7ou os planos de dois organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial. O fundo ajuda a manter constantes as taxas de c\u00e2mbio, al\u00e9m de socorrer pa\u00edses com crises nas suas reservas cambiais, como no caso do Brasil e da R\u00fassia, em 1998. O banco realiza empr\u00e9stimos internacionais a longo prazo e d\u00e1 garantia aos empr\u00e9stimos feitos atrav\u00e9s de outros bancos. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[3]\u00a0<b>Robert Kurz<\/b>\u00a0(1943-2012): soci\u00f3logo e ensa\u00edsta alem\u00e3o, co-fundador e redator da revista te\u00f3rica Krisis \u2013 Beitr\u00e4ge zur Kritik der Warengesellschaft (Krisis \u2013 Contribui\u00e7\u00f5es para a Cr\u00edtica da Sociedade da Mercadoria). A \u00e1rea dos seus trabalhos abrange a teoria da crise e da moderniza\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise cr\u00edtica do sistema mundial capitalista, a cr\u00edtica do Iluminismo e a rela\u00e7\u00e3o entre cultura e economia. \u00c9 autor de\u00a0<i>O Colapso da Moderniza\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0(Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993) e\u00a0<i>Os \u00daltimos Combates<\/i>\u00a0(Petr\u00f3polis: Vozes, 1998). A IHU On-Line entrevistou Kurz na 98\u00aa edi\u00e7\u00e3o, de 26 de abril de 2004, sob o t\u00edtulo\u00a0<i>A globaliza\u00e7\u00e3o deve se adaptar \u00e0s necessidades das pessoas, e n\u00e3o o contr\u00e1rio<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/bit.ly\/2LniuKM. Na edi\u00e7\u00e3o 161, de 24 de outubro de 25, Kurz concedeu a entrevista\u00a0<i>Novas rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o podem ser criadas por novas tecnologias<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/bit.ly\/2uFPq6M. Confira, ainda, as entrevistas\u00a0<i>O trabalho abstrato se derrete como subst\u00e2ncia do sistema<\/i>, publicada na edi\u00e7\u00e3o 188 de 10-07-2006, dispon\u00edvel em https:\/\/bit.ly\/2L4D2rK, e\u00a0<i>O vexame da economia da bolha financeira \u00e9 tamb\u00e9m o vexame da esquerda p\u00f3s-moderna<\/i>, publicada na edi\u00e7\u00e3o 278 da IHU On-Line, de 21-10-2008, dispon\u00edvel em https:\/\/bit.ly\/2NVy4LK. Leia tamb\u00e9m uma entrevista sobre seu legado, concedida por Ricardo Antunes e Dieter Heidemann \u00e0 IHU On-Line, intitulada\u00a0<i>Um cr\u00edtico da economia pol\u00edtica<\/i>, publicada na edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 400, de 27-08-2012, dispon\u00edvel em http:\/\/bit.ly\/NZa8ls (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[4]\u00a0<b>Natalie Moszkowska<\/b>\u00a0(1886-1968): economista nascida em Vars\u00f3via, na Pol\u00f4nia. Produziu contribui\u00e7\u00f5es significativas \u00e0 teoria marxista. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[5]\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/b>: s\u00e9rie de eventos pol\u00edticos na R\u00fassia que, ap\u00f3s a elimina\u00e7\u00e3o da autocracia russa e depois do Governo Provis\u00f3rio (Duma), resultou no estabelecimento do poder sovi\u00e9tico sob o controle do partido bolchevique. O resultado desse processo foi a cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas \u2013 URSS, que durou at\u00e9 1991. A revolu\u00e7\u00e3o compreendeu duas fases distintas: a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro de 1917, que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II, o \u00faltimo czar a governar, e procurou estabelecer em seu lugar uma rep\u00fablica de cunho liberal, e a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, na qual o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir L\u00eanin, derrubou o governo provis\u00f3rio e imp\u00f4s o governo socialista sovi\u00e9tico. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[6]\u00a0<b>Estado Novo<\/b>: per\u00edodo autorit\u00e1rio da hist\u00f3ria do Brasil, que durou de 1937 a 1945. Foi instaurado por um golpe de Estado que garantiu a continuidade de Get\u00falio Vargas \u00e0 frente do governo central, recebendo apoio de importantes lideran\u00e7as pol\u00edticas e militares. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[7]\u00a0<b>Golpe de 1964<\/b>: movimento deflagrado em 1\u00ba de abril de 1964. Os militares brasileiros, apoiados pela press\u00e3o internacional anticomunista liderada e financiada pelos Estados Unidos, desencadearam a Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam, que garantiu a execu\u00e7\u00e3o do golpe, que destituiu do poder o presidente Jo\u00e3o Goulart, o Jango. Em seu lugar, os militares assumiram o poder e se mantiveram governando o pa\u00eds entre os anos de 1964 e 1985. Sobre a ditadura de 1964 e o regime militar, o IHU publicou o 4\u00ba n\u00famero dos Cadernos IHU em Forma\u00e7\u00e3o, intitulado\u00a0<i>Ditadura 1964. A mem\u00f3ria do regime militar<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/a4e8VX. Confira, tamb\u00e9m, as edi\u00e7\u00f5es n\u00ba 96 da IHU On-Line, intitulada\u00a0<i>O regime militar: a economia, a igreja, a imprensa e o imagin\u00e1rio<\/i>, de 12 de abril de 2004, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/a2yUBr; n\u00ba 95, de 5 de abril de 2005, 1964 \u2013 2004: hora de passar o Brasil a limpo, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/cU7FEV; n\u00ba 437, de 13 de mar\u00e7o de 2014,\u00a0<i>Um golpe civil-militar. Impactos, (des)caminhos, processos<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/gXbCaL; e n\u00ba 439, de 31 de mar\u00e7o de 2014,\u00a0<i>Brasil, a constru\u00e7\u00e3o interrompida \u2013 Impactos e consequ\u00eancias do golpe de 1964<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/wENVN6. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[8]\u00a0<b>Moishe Postone<\/b>\u00a0(1942-2018): nascido no Canad\u00e1, foi professor de hist\u00f3ria na Universidade de Chicago. Conhecido tanto por sua interpreta\u00e7\u00e3o do antissemitismo moderno quanto por sua reinterpreta\u00e7\u00e3o da teoria cr\u00edtica marxista. Em seu livro\u00a0<i>Time, Labor and Social Domination: A reinterpretation of Marx\u2019s critical theory<\/i>, prop\u00f5e uma reinterpreta\u00e7\u00e3o radical da teoria cr\u00edtica de Karl Marx, principalmente de\u00a0<i>O Capital<\/i>\u00a0e dos\u00a0<i>Grundrisse<\/i>. Tamb\u00e9m investigou a rela\u00e7\u00e3o entre capitalismo e antissemitismo, com fundamento na forma-mercadoria e no trabalho abstrato. Postone foi influenciado, em sua interpreta\u00e7\u00e3o, pelo livro\u00a0<i>Hist\u00f3ria e consci\u00eancia de classe<\/i>, de Georg Luk\u00e1cs, pelos te\u00f3ricos do Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (onde estudou de 1976 a 1982) e por marxistas heterodoxos como Sohn-Rethel, Isaak Rubin e Roman Rosdolsky. Influenciou profundamente os te\u00f3ricos da cr\u00edtica do valor (Anselm Jappe, Robert Kurz, Norbert Trenkle), assim como outros int\u00e9rpretes de Marx, como Antoine Artous. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[9]\u00a0<b>Philip Dick<\/b>\u00a0(1928-1982): tamb\u00e9m conhecido pelas iniciais PKD, de Philip Kindred Dick, foi um escritor americano de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que alterou profundamente este g\u00eanero liter\u00e1rio. Apesar de pouco reconhecido em vida, a adapta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios dos seus romances ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto p\u00fablico, sendo aclamado tanto pelo p\u00fablico como pela cr\u00edtica. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[10]\u00a0<b>Svetlana Aleksi\u00e9vitch<\/b>\u00a0(1948): escritora e jornalista com cidadania bielorrussa, nascida na Ucr\u00e2nia. Ganhou o Nobel de Literatura de 2015. A sua obra \u00e9 uma cr\u00f4nica pessoal da hist\u00f3ria de mulheres e homens sovi\u00e9ticos e p\u00f3s-sovi\u00e9ticos, a quem entrevistou para as suas narrativas durante os momentos mais dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Afeganist\u00e3o, a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o desastre de Chernobyl. Abandonou a Bielorr\u00fassia em 2000 e viveu em Paris, Gotemburgo e Berlim. Em 2011, voltou a Minsk. No Brasil, lan\u00e7ou pela editora Companhia das Letras\u00a0<i>O fim do homem sovi\u00e9tico<\/i>,\u00a0<i>A guerra n\u00e3o tem rosto de mulher<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Vozes de Tchern\u00f3bil<\/i>. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[11]\u00a0<b>Baruch Spinoza\u00a0<\/b>(ou Espinosa, 1632\u20131677): fil\u00f3sofo holand\u00eas. Sua filosofia \u00e9 considerada uma resposta ao dualismo da filosofia de Descartes. Foi considerado um dos grandes racionalistas do s\u00e9culo 17 dentro da Filosofia Moderna e o fundador do criticismo b\u00edblico moderno. Confira a edi\u00e7\u00e3o 397 da IHU On-Line, de 6-8-2012, intitulada\u00a0<i>Baruch Spinoza. Um convite \u00e0 alegria do pensamento<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/GEGuI5. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[12]\u00a0<b>Ren\u00e9 Descartes\u00a0<\/b>(1596-1650): fil\u00f3sofo, f\u00edsico e matem\u00e1tico franc\u00eas. Notabilizou-se sobretudo pelo seu trabalho revolucion\u00e1rio da Filosofia, tendo tamb\u00e9m sido famoso por ser o inventor do sistema de coordenadas cartesiano, que influenciou o desenvolvimento do c\u00e1lculo moderno. Descartes, por vezes chamado o fundador da filosofia e da matem\u00e1tica modernas, inspirou os seus contempor\u00e2neos e gera\u00e7\u00f5es de fil\u00f3sofos. Na opini\u00e3o de alguns comentadores, ele iniciou a forma\u00e7\u00e3o daquilo a que hoje se chama de racionalismo continental (supostamente em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escola que predominava nas ilhas brit\u00e2nicas, o empirismo), posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica dos s\u00e9culos 17 e 18 na Europa. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[13]\u00a0<b>Alfred Sohn-Rethel<\/b>\u00a0(1899-1990): economista e fil\u00f3sofo marxista alem\u00e3o nascido na Fran\u00e7a, especialmente interessado em epistemologia. Ele tamb\u00e9m escreveu sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a ind\u00fastria alem\u00e3 e o nacional-socialismo. Autor de\u00a0<i>Intellectual and manual labour: a critique of epistemology<\/i>\u00a0(Atlantic Highlands, N.J : Humanities Press, 1977) e\u00a0<i>Economy and class structure of German fascism<\/i>\u00a0(London, CSE Books, 1978) (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[14]\u00a0<b>Georg Wilhelm Friedrich Hegel<\/b>\u00a0(1770-1831): fil\u00f3sofo alem\u00e3o idealista. Como Arist\u00f3teles e Santo Tom\u00e1s de Aquino, desenvolveu um sistema filos\u00f3fico no qual estivessem integradas todas as contribui\u00e7\u00f5es de seus principais predecessores. Sobre Hegel, confira a edi\u00e7\u00e3o 217 da IHU On-Line, de 30-4-2007, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/m0FJnp, intitulada\u00a0<i>Fenomenologia do esp\u00edrito, de Georg Wilhelm Friedrich Hegel 1807-2007<\/i>, em comemora\u00e7\u00e3o aos 200 anos de lan\u00e7amento dessa obra. Veja ainda a edi\u00e7\u00e3o 261, de 9-6-2008, Carlos Roberto Velho Cirne-Lima.\u00a0<i>Um novo modo de ler Hegel<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/D94swr;\u00a0<i>Hegel. A tradu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria pela raz\u00e3o<\/i>, edi\u00e7\u00e3o 430, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/62UATd e\u00a0<i>Hegel. L\u00f3gica e Metaf\u00edsica<\/i>, edi\u00e7\u00e3o 482, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/lldAkv. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[15]\u00a0<b>Manuscritos Econ\u00f4mico-filos\u00f3ficos de 1844<\/b>: s\u00e9rie de notas escritas entre abril e agosto de 1844 por Karl Marx. N\u00e3o publicado pelo autor durante sua vida, foram lan\u00e7ados pela primeira vez em 1932 por pesquisadores da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os cadernos s\u00e3o uma express\u00e3o inicial da an\u00e1lise de Marx da economia, principalmente de Adam Smith, e cr\u00edtica da filosofia de G. W. F. Hegel. Os cadernos cobrem uma ampla gama de t\u00f3picos, incluindo propriedade privada, comunismo e dinheiro. Eles s\u00e3o mais conhecidos por sua express\u00e3o inicial do argumento de Marx de que as condi\u00e7\u00f5es das sociedades industriais modernas resultam no distanciamento (ou aliena\u00e7\u00e3o) dos trabalhadores assalariados da pr\u00f3pria atividade\/trabalho de sua vida. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[16]\u00a0<b>Adolf Hitler<\/b>\u00a0(1889-1945): ditador austr\u00edaco. O termo F\u00fchrer foi o t\u00edtulo adotado por Hitler para designar o chefe m\u00e1ximo do Reich e do Partido Nazista. O nome significa o chefe m\u00e1ximo de todas as organiza\u00e7\u00f5es militares e pol\u00edticas alem\u00e3s, e quer dizer \u201ccondutor\u201d, \u201cguia\u201d ou \u201cl\u00edder\u201d. Suas teses racistas e antissemitas, bem como seus objetivos para a Alemanha, ficaram patentes no seu livro de 1924,\u00a0<i>Mein Kampf<\/i>\u00a0(Minha luta). No per\u00edodo da ditadura de Hitler, os judeus e outros grupos minorit\u00e1rios considerados &#8220;indesejados&#8221;, como ciganos e negros, foram perseguidos e exterminados no que se convencionou chamar de Holocausto. Cometeu o suic\u00eddio no seu Quartel-General (o F\u00fchrerbunker) em Berlim, com o Ex\u00e9rcito Sovi\u00e9tico a poucos quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia. A edi\u00e7\u00e3o 145 da IHU On-Line, de 13-6-2005, comentou na editoria Filme da Semana a obra dirigida por Oliver Hirschbiegel\u00a0<i>A Queda \u2013 as \u00faltimas horas de Hitler<\/i>, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/Diukrq. A edi\u00e7\u00e3o 265, intitulada\u00a0<i>Nazismo: a legitima\u00e7\u00e3o da irracionalidade e da barb\u00e1rie<\/i>, de 21-7-2008, trata dos 75 anos de ascens\u00e3o de Hitler ao poder, dispon\u00edvel em https:\/\/goo.gl\/rhIz3l. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[17]\u00a0<b>Edward Snowden<\/b>\u00a0(1983): analista de sistemas, ex-funcion\u00e1rio da CIA e da NSA, a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos. Tornou-se conhecido por revelar detalhes do sistema de Vigil\u00e2ncia Global norte-americano. Sobre o tema, acesse Abandonar Snowden \u00e9 uma causa indigna. Entrevista especial com S\u00e9rgio Amadeu, no de 19-12-2013, dispon\u00edvel em http:\/\/bit.ly\/ihusnowden, no s\u00edtio do IHU. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[18]\u00a0<b>Comuna de Paris<\/b>: \u00e9 um per\u00edodo insurrecional na hist\u00f3ria de Paris, que durou pouco mais de dois meses, de 18 de mar\u00e7o de 1871 at\u00e9 a &#8220;Semana Sangrenta&#8221; de 21 a 28 maio de 1871. Esta insurrei\u00e7\u00e3o contra o governo foi uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 derrota francesa na guerra franco-prussiana de 1870. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>)<\/p>\n<p>[19]\u00a0<b>Andr\u00e9 Villar Gomez<\/b>: graduado em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pela Universidade Gama Filho e em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Filosofia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro e doutor em Servi\u00e7o Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na sua tese, estudou o problema da crise estrutural do capitalismo e os impactos destrutivos do metabolismo capitalista sobre a natureza: acelera\u00e7\u00e3o da pilhagem ecol\u00f3gica, produ\u00e7\u00e3o destrutiva (com destaque para a economia pol\u00edtica da guerra) e a produ\u00e7\u00e3o de um mundo p\u00f3s-natural. (Nota da\u00a0<b>IHU On-Line<\/b>).<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/Impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/4\/43151<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211;\u00a0Ao analisar a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e seus efeitos,\u00a0Marildo Menegat\u00a0destaca que ela \u00e9 um aprofundamento da\u00a0Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Tecnocient\u00edfica, a da\u00a0microeletr\u00f4nica. \u201cEla amplia solu\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em alguns pontos que n\u00e3o eram ainda suficientemente rent\u00e1veis para o\u00a0capital, quando essa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica iniciou-se nos anos 1950-60\u201d, contextualiza. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, ela j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10097,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[10,8],"tags":[68],"class_list":["post-10096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","category-sociedade","tag-tecnologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211;\u00a0Ao analisar a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e seus efeitos,\u00a0Marildo Menegat\u00a0destaca que ela \u00e9 um aprofundamento da\u00a0Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Tecnocient\u00edfica, a da\u00a0microeletr\u00f4nica. \u201cEla amplia solu\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em alguns pontos que n\u00e3o eram ainda suficientemente rent\u00e1veis para o\u00a0capital, quando essa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica iniciou-se nos anos 1950-60\u201d, contextualiza. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, ela j\u00e1 [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-02-06T17:13:48+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"759\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"44 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta\",\"datePublished\":\"2019-02-06T17:13:48+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/\"},\"wordCount\":8729,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/02\\\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1\",\"keywords\":[\"Tecnologia\"],\"articleSection\":[\"Meio ambiente\",\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/\",\"name\":\"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/02\\\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1\",\"datePublished\":\"2019-02-06T17:13:48+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/02\\\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2019\\\/02\\\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1\",\"width\":1024,\"height\":759},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/02\\\/06\\\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia","og_description":"Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211;\u00a0Ao analisar a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 e seus efeitos,\u00a0Marildo Menegat\u00a0destaca que ela \u00e9 um aprofundamento da\u00a0Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Tecnocient\u00edfica, a da\u00a0microeletr\u00f4nica. \u201cEla amplia solu\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em alguns pontos que n\u00e3o eram ainda suficientemente rent\u00e1veis para o\u00a0capital, quando essa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica iniciou-se nos anos 1950-60\u201d, contextualiza. \u201cNa d\u00e9cada de 1980, ela j\u00e1 [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2019-02-06T17:13:48+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":759,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"44 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta","datePublished":"2019-02-06T17:13:48+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/"},"wordCount":8729,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1","keywords":["Tecnologia"],"articleSection":["Meio ambiente","Sociedade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/","name":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1","datePublished":"2019-02-06T17:13:48+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1","width":1024,"height":759},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/02\/06\/impacto-destrutivo-do-capitalismo-ja-e-maior-do-que-todas-as-destruicoes-anteriores-da-vida-no-planeta\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Impacto destrutivo do capitalismo j\u00e1 \u00e9 maior do que todas as destrui\u00e7\u00f5es anteriores da vida no planeta"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/tecnologia-producao-informatica.jpeg?fit=1024%2C759&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10096"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10098,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10096\/revisions\/10098"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}