Jesus não morreu pelos “nossos pecados”, mas por ter enfrentado o sistema vigente de sua época

Wanderson Dutch – Quando você pergunta a um cristão porque Jesus morreu na cruz, eles quase automaticamente responderão “para pagar pelos nossos pecados”. Isso se tornou uma crença cristã profundamente enraizada que é amplamente ensinada nas igrejas do mundo todo. Esta ideia foi aceita por muitos como a verdadeira doutrina cristã e passada de geração em geração. É uma afirmação que foi aceita como fato real e que é a base da fé de muitos cristãos ortodoxos e neoliberais.

Portanto, pode ser uma surpresa para você se eu disser que a Bíblia não diz isso.

Não importa o quanto você procure, você não encontrará uma única passagem em toda a Bíblia que diga alguma coisa sobre Jesus ter pago a penalidade pelos nossos pecados. Isso porque esta é uma “crença cristã” que a Bíblia não ensina. Pelo contrário, foi uma teologia criada por humanos.

O nome técnico e teológico dessa crença é “expiação substitutiva penal”. Essa teologia não fazia parte da doutrina cristã nos primeiros 1.600 anos depois da crucificação de Jesus. As idéias foram originadas e desenvolvidas por seres humanos que estavam tendo dificuldade em entender o que a Bíblia ensina sobre como Jesus Cristo salvou a humanidade.

Eles trabalharam com o que puderam para entender melhor os ensinamentos de Jesus, mas erraram grotescamente o alvo. Isto levou a uma criação de uma crença que não foi realmente baseada na Bíblia.

Existem alguns versículos limitados que falam sobre a morte de Jesus em relação aos nossos pecados, mas eles apenas apontam para a morte de Jesus de alguma forma relacionada aos nossos pecados, mas não que Sua morte foi um substituto ou penalidade por causa de nossos pecados.

Sua morte não nos purificou dos pecados que cometeríamos no futuro, nem nos dava um “passe livre para o céu” para fazer o que quiséssemos e simplesmente pedirmos perdão depois. Sua morte não é uma desculpa para nossos pecados, aos quais alude a “reparação substitutiva penal”.

A morte de Jesus foi provocada intencionalmente por interesses humanos.

Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria”  (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, vêem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14).

A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor.
E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o mais nobre dos homens: “Este é herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38).

O verdadeiro inimigo do homem não é o pecado(outra crença errônea do cristianismo), mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente cegos para satisfação de seus desejos egoístas.

https://www.giroenoticias.com/2019/04/jesus-nao-morreu-pelos-nossos-pecados.html?fbclid=IwAR3N1AdNEuelAKnnkdRs9zP3XCPxC0muWP_dN_dUyZsgNvQD1-rxAdJPfUc

Comentário para “Jesus não morreu pelos “nossos pecados”, mas por ter enfrentado o sistema vigente de sua época”

  1. Maria de Fátima Mora, Responder

    Adorei esse artigo

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