Novo estudo desmistifica o conceito da meritocracia na sociedade

REDAÇÃO GALILEU – Crianças pobres (e com talento) têm mais dificuldades de entrar em uma faculdade que alguém menos capacitado (mas que nasceu em uma família rica).

A ciência acaba de confirmar o que boa parte de nós já desconfiava: a meritocracia não se aplica na realidade. Não importa quão inteligente você seja, o quão privilegiado pelos genes você é, é o dinheiro que faz toda a diferença na busca do sucesso econômico.

Usando uma medida baseada no genoma, economistas descobriram que as dotações genéticas são distribuídas quase igualmente entre as crianças de famílias de baixa e alta renda. A prosperidade, por outro lado, não é.

As crianças menos dotadas, mas com pais de alta renda se formam na universidade a taxas mais altas do que as crianças mais talentosas de pais de baixa renda. Apenas cerca de 24% dos mais pobres se formam na faculdade, contra 63% das pessoas com pontuações genéticas semelhantes que têm a sorte de nascer rico.

“Vai contra a narrativa de que existam diferenças genéticas substanciais entre as pessoas que nascem em famílias abastadas e as que nascem na pobreza”, disse ao Washington Post Kevin Thom, economista da Universidade de Nova York e autor do trabalho publicado National Bureau of Pesquisa Econômica. “Se você não tem os recursos da família, até as crianças brilhantes – as crianças naturalmente dotadas – terão que enfrentar batalhas difíceis.”

A análise baseia-se nas descobertas de um dos maiores estudos genômicos já realizados.  Foram escaneados pares de bases individuais em mais de um milhão de genomas. A busca era por correlações entre genes e anos de escolaridade concluídos. Depois sintetizaram os resultados em uma única pontuação, que podemos usar para prever realizações educacionais com base em fatores genéticos.

Os pesquisadores estudaram o índice com base nos dados colhidos para um outro trabalho, sobre aposentadoria. Cerca de 20 mil entrevistados, nascidos entre 1905 e 1964, forneceram seu DNA juntamente com suas respostas, o que permitiu aos economistas atribuir resultados genéticos às conquistas acadêmicas e econômicas dos indivíduos.

Tentativas anteriores de separar o potencial acadêmico das vantagens concedidas a filhos de famílias ricas dependiam de medidas como os testes de QI, que são influenciados pela educação, ocupação e renda dos pais. Eles não podem ser administrados na concepção, nascimento ou infância – antes que pais de alta renda tenham dado um bom começo a seus filhos pequenos, alimentando-os bem, lendo para eles em taxas mais altas e inscrevendo-os em mais atividades.

“Duas pessoas que são geneticamente semelhantes podem ter pontuações surpreendentemente diferentes no teste de QI porque as mais ricas investiram mais em seus filhos”, disse um dos autores, economista da Universidade Johns Hopkins, Nicholas Papageorge. “Quando você olha para o potencial genético bruto das duas pessoas, você percebe que elas são bastante semelhantes”.

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/10/novo-estudo-desmistifica-o-conceito-da-meritocracia-na-sociedade.html?fbclid=IwAR0FZpUI6RbQZCEoUm-BfybR1uz8XcCJKPn4D_rQoOgjB_xT7UuOziU2e5I

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