Horário Eleitoral termina hoje: relembre o melhor e o pior da campanha de 2018

VICTOR PICCHI GANDIN – Hoje (04/10/2018) será exibido na televisão e no rádio o último horário eleitoral antes da votação do primeiro turno, marcado para domingo (07). Também serão exibidas as últimas inserções, propagandas de trinta segundos que vão ao ar nos intervalos comerciais da TV, ao longo da programação. A propaganda presidencial foi bastante comentada. Ataques entre candidatos fizeram parte dela e também das campanhas para governador em diversos estados. Além destas propagandas para cargos do Poder Executivo, que tiveram bastante repercussão na mídia, diversas particularidades puderam ser vistas ao longo desta campanha eleitoral em geral. Reúno nesta postagem os famosos que apareceram apoiando candidatos, alguns erros que foram notados em propagandas, situações inusitadas que puderam ser vistas em alguns estados e temas que foram recorrentemente abordados por candidatos do Poder Legislativo. Para marcar o fim desta campanha televisiva, relembre agora o que se destacou e confira o que acabou passando despercebido.

FAMOSOS

Famosos da televisão e de outras áreas, como o esporte e a música, sempre se candidatam e aparecem no horário eleitoral. Em 2018 não foi diferente. Dentre eles, vimos Renata Banhara (PRB/SP), Rapadura do Comando Maluco (MDB/SP), Alexandre Frota (PSL/SP), Ceguinho Geraldo Magela (AVANTE/MG), Flordelis (PSD/RJ), Wagner Montes (PRB/RJ), Eduardo Bandeira de Mello (REDE/RJ), Kim Kataguiri (DEM/SP), Leila do Vôlei (PSB/DF), Maurren Maggi (PSB/SP), Hulk Magrelo (PATRI/SP), Batoré (PTB/SP), Cláudia Baronesa (mãe de MC Gui; PATRI/SP), Ademir da Guia (PHS/SP) e Dr. Rey (PRB/SP).

CABO ELEITORAL

Diversos políticos recorreram a Lula, cuja candidatura a presidente foi indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral, para pedidos de votos, a partir de vídeos gravados pelo ex-presidente antes de sua prisão na sede da Polícia Federal em Curitiba. Os mais atentos repararam que Lula deu um tapa no pulso do candidato a governador Luiz Marinho (PT/SP).

Alexandre Kalil, ex-presidente do Clube Atlético Mineiro e atual prefeito de Belo Horizonte/MG, pediu voto ao candidato a senador Jornalista Carlos Viana (PHS/MG). Para o cargo de deputado, o prefeito pediu votos na legenda de seu partido, o PHS.

Como é recorrente, diversos pastores também apareceram no horário eleitoral. Silas Malafaia pediu votos a Sóstenes (DEM/RJ) e a seu irmão, Samuel Malafaia (DEM/RJ). Valdomiro Santiago, Samuel Ferreira e R. R. Soares também compareceram.

O ator Wagner Moura declarou apoio ao candidato a presidente Guilherme Boulos (PSOL), marcando a estreia de sua propaganda no horário eleitoral. O apoio foi reafirmado em uma inserção de 30 segundos. Já o cantor Chico Buarque declarou voto a um deputado do PSOL, Jean Wyllys (RJ).

Newton Ishii, o Japonês da Federal, apareceu no horário eleitoral pedindo votos na legenda ao partido Patriota (antigo PEN) e também ao candidato a deputado federal por São Paulo Adilson Barroso. Já na reta final da campanha, Compadre Washington gravou propagandas para o candidato a governador de São Paulo João Doria (PSDB).

PAIS E FILHOS

A propaganda de deputados federais da Coligação O Rio Quer Paz (DEM / MDB / PP / PTB) trouxe de uma só vez os filhos(as) de Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Roberto Jefferson como candidatos(as) no Rio de Janeiro. O filho do prefeito Marcelo Crivella (PRB) também tenta uma vaga.

ENÉAS

No Rio de Janeiro, o candidato a deputado estadual Enéas Pinheiro (PR), em alusão a Enéas Carneiro, afirmou que seu “nome também é Enéas”. No Distrito Federal, o candidato a deputado federal Zé Edmar (PMN), com poucos segundos no horário eleitoral, comparou-se ao antigo deputado do PRONA: “Fizeram comigo o mesmo que fizeram com o Enéas, mas meu nome é Zé Edmar”.

Também pelo PMN, desta vez em São Paulo, Patrícia Freitas Lima candidatou-se a deputada federal. Deputada estadual eleita pelo PRONA em 2006, Patrícia aparece em inserção deste ano referenciando o número de sua antiga legenda e falando da forma característica de seu antigo líder (sem, contudo, utilizar a clássica trilha sonora de suas propagandas). A candidata se apresenta como “herdeira do Doutor Enéas”.

OLHA PRA MIM

Luis Tibé, presidente nacional do partido AVANTE (ex-PTdoB) e candidato a deputado federal, ocupou no dia 03/09/2018 a propaganda destinada a todos os cargos de seu partido em Minas Gerais. Ele apareceu nos horários destinados ao candidato a senador Edson André, no programa dos deputados estaduais do AVANTE e na propaganda do candidato a governador Claudiney Dulim, que neste dia nem deram as caras.

ANIMAIS

Como em campanhas anteriores, o que não faltou no horário eleitoral foram candidatos defensores dos animais. Dentre eles, Feliciano Filho (PRP/SP), Danilo Manha (PRP/SP), Carol dos Animais (PSD/SP), Noradino Júnior (PSC/MG), Ricardo Tripoli (PSDB/SP), Giovanna Tripoli (PSDB/SP), Rafa Zimbaldi (PSB/SP), Rosana Puckweiser (PTC/SP), Luana Protetora dos Animais (PRP/SP) e César Rocha Proteção Animal (REDE/SP). Edilson Guarnieri (PTB/SP) utilizou seu espaço para defender “passarinheiros, o mercado pet, cinofilia, aquariofilia, veterinários e bem-estar animal”.

INUSITADO

Chef Bruno Stippe, candidato a deputado estadual pelo PHS em São Paulo, apareceu na propaganda de sua coligação segurando um copo de água. Tati Cruz, candidata pelo MDB, ficou conhecida pelo grito “Uhuuu!”. No Rio de Janeiro, um candidato a deputado estadual pelo PP se apresentou como “Pantera Negra”.

Marcelo Cândido (PDT/SP) ganhou certa fama com sua propaganda no horário eleitoral. O motivo? A peça começa em grande animação, com diversas pessoas cantando e dançando. Logo depois, o clima da propaganda muda totalmente. O jingle termina e entra uma trilha de suspense, com o candidato bastante sério sentado em uma cadeira.

No início de sua campanha, Suplicy (PT/SP) pode ser visto fazendo café. O candidato também foi “presenteado” por um jingle cantado por seu filho, Supla. Jilmar Tatto, outro candidato a senador em São Paulo pela coligação de Suplicy, convidou Fernando Haddad (PT) para sua propaganda. Este, porém, foi filmado num enquadramento bem estranho.

Ademir Santos (PSC/MG), lançou o bordão “É enxada neles!”. Ainda em Minas Gerais, o candidato a deputado federal Delegado Edson Moreira (PR) bradou: “Vote pela sua segurança, senão você vai morrer!”.

No Distrito Federal, um candidato apareceu com um boneco de um grilo na cabeça e outro fez malabarismos, dizendo que “é preciso malabarismo para superar a velha política”.

Laércio Benko (PHS/SP) afirmou que “O Ministério da Saúde tinha que se chamar Ministério da Doença”. Visitando a aposentada Auta Elias, João Dória (PSDB/SP) parece ter comido sua primeira amora.

SEGUNDOS

Com poucos segundos no horário eleitoral, partidos pequenos adotaram diferentes estratégias. Diversas legendas ficaram vários dias sem enviar programas ao horário eleitoral, o que fez tais espaços serem ocupados por um slide azul com avisos de “horário reservado”.

Em São Paulo, com o passar do tempo, o PTC passou a enviar como programa um pedido de votos na legenda pronunciado pelo presidente estadual do partido. Já o PCO utilizou o espaço de todos os seus candidatos para a transmissão de uma mensagem a favor de Lula. O PSTU utilizou seus segundos para lançar o bordão “16 é rebelião”.

O partido NOVO também teve pouquíssimos segundos de propaganda. Estes foram aproveitados para a divulgação do número do partido. No Rio de Janeiro, o candidato a governador Marcelo Trindade (NOVO) diz que a “velha política roubou o nosso tempo”.

Dentre os presidenciáveis com pouco espaço na televisão, Eymael (DC), bastante conhecido por seu jingle, conseguiu inventar uma nova moda, o bordão “Sinais, fortes sinais!”.

SOBRAS

Devido ao arredondamento de segundos que ocorre no cálculo do tempo no horário eleitoral, a última propaganda exibida em cada dia no bloco de 25 minutos acaba sendo um pouco maior. Por sorteio, cada programa começa e termina com um candidato diferente. Desta forma, todos tem direito a ter uma visibilidade maior aparecendo primeiro no horário eleitoral em algum dia e cada partido/coligação que aparece por último pode ter um tempo razoavelmente maior em algum dia específico. O presidenciável João Goulart Filho (PPL), no dia 01/09/2018, viu seu tempo subir de 5 para 14 segundos. Parece pouco, mas o aumento pontual permitiu ao candidato apresentar até seu jingle.

LIBRAS

Jilmar Tatto, candidato a senador pelo PT em São Paulo, teve uma ideia interessante em direção a uma maior inclusão social. Em uma inserção, o candidato inverteu sua posição na tela com a intérprete da Língua Brasileira de Sinais, que se destacou em tela cheia. Por outro lado, esta mesma propaganda não foi legendada.

Eros Biondini (PROS), candidato a deputado federal em Minas Gerais, por sua vez, usou uma animação no lugar que deveria constar uma pessoa traduzindo suas falas para a Língua Brasileira de Sinais. Aparentemente, foi utilizado o intérprete virtual Hugo, do aplicativo Hand Talk. Trata-se de uma plataforma que traduz simultaneamente conteúdos em português para Libras.

LEGENDA

Erros em legendas são muito comuns no horário eleitoral. Frequentemente, muitas palavras são escritas da maneira errada. A legenda da inserção da candidata Lívia Fidelix (PRTB/SP), por exemplo, diz que ela tem coragem para “indireitar” São Paulo. Brumer (PTB), também candidato a deputado estadual em São Paulo, afirmou que “muitos estão contra a corrupção agora”. Na legenda de sua propaganda, um erro de digitação fez a palavra ser trocada por “corrupão“.

Na propaganda para deputado distrital, cargo eletivo do Distrito Federal, enquanto uma candidata diz “Mara de Todos, vim para mudar, 45222”, a legenda de sua propaganda afirma que foi dito “Sou o fiscal de Brasília, 45789”. O candidato a deputado federal Jefferson Campos (PSB/SP) teve seu nome escrito com duas grafias diferentes na mesma propaganda: Jeffersom (em destaque na tela) e Jefferson (na legenda). Já Ernesto Gold, candidato do PTB no Distrito Federal, foi grafado como “Esrnesto Gold”.

MEU NUMERO É…

Marylia Tavares, candidata a deputada distrital pelo PTC, viu seu partido ser alterado por outro na legenda do programa de sua coligação. Enquanto a candidata divulga o número “33030”, na tela aparece “36.000”. Algo parecido aconteceu com Leandro Avelino (PSB/SP). Já o programa do candidato a deputado federal Giba (PSTU/MG) divulgou seu número como sendo “160”. Os números dos candidatos a deputado federal são compostos por quatro dígitos, e não três.

FLASH

Polly do Amaral, candidata a deputada estadual pelo PSOL em Minas Gerais, teve uma participação instantânea no horário eleitoral da tarde do dia 03/09/2018. Antes que o programa da coligação PSOL/PCB terminasse, a candidata só conseguiu falar a sílaba “Vo”. Pela legenda, a frase completa seria “Vote em uma mãe de luta”. Tão logo ela começou a falar, iniciou-se o próximo programa do horário eleitoral, destinado à Coligação Renovação (PTC / PMB). Provavelmente, a gravação completa foi veiculada em outro dia.

VICTOR PICCHI GANDIN é formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e Mestrando em Ciência Política pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. Autor dos artigos acadêmicos “Coligações eleitorais em Matão: efeitos da alteração do número de cadeiras sobre o comportamento partidário” (com Maria Teresa Miceli Kerbauy) e “Eleições, partidos e coligações: Uma análise da consistência ideológica e das alianças no município de Matão” (com Thais Cavalcanti Martins). Pesquisa sobre coligações, partidos políticos e eleições.

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