Petróleo e a política de guerra dos EUA

Liszt Vieira – Os combustíveis fósseis são recursos limitados e mais cedo ou mais tarde irão se esgotar.

É praticamente consenso que as reservas de petróleo vão se esgotar em 40 anos, mantido o atual padrão de produção e consumo. Nos EUA, a previsão é de que as reservas se esgotem em 7 anos.

O uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão) é o maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global e ameaçam a sobrevivência da vida no planeta. Entre as consequências, encontram-se a elevação do nível dos mares, submersão das costas, calores intensos e secas mais severas, inundações, precipitações pluviométricas mais fortes, impactos na produção agrícola, redução na produção de alimentos e respectivo aumento de preços. Um aquecimento global acima de 2 graus, como parece ser a tendência, é considerado o teto a partir do qual a sobrevivência da humanidade estará ameaçada pela destruição de recursos naturais.

Os eventos climáticos extremos produzem catástrofes e deslocamentos massivos de população, aumentando cada vez mais o número de refugiados. E para a fauna, assim como para a flora, cada grau de aquecimento – e mesmo cada meio grau – é de importância vital. A perda da biodiversidade, que não cessa de agravar-se com a extinção de espécies animais e vegetais, mostra que o homem é o único animal que destrói seu próprio habitat.

E lutar contra a mudança climática poderia criar 18 milhões de empregos. A redução das emissões de gases de efeito estufa poderia gerar quatro vezes mais empregos do que o que seria perdido (Le Monde, 18/5/2018). Mas no Brasil, por exemplo, os adoradores de petróleo, à esquerda e à direita, exaltam o pré sal e desprezam investimentos em energias alternativas.

Os combustíveis fósseis são recursos limitados e mais cedo ou mais tarde irão se esgotar. O carvão em centenas de anos, o petróleo e o gás em dezenas de anos. Eles estão na base da maioria dos conflitos no mundo. São esclarecedores os dados abaixo sobre as reservas de petróleo.

Os gráficos sobre reservas mundiais de petróleo ajudam muito a explicar porque a mídia só se interessa pela falta de democracia nos países que têm petróleo cobiçado pelos EUA, principalmente Irã e Venezuela. As ditaduras aliadas dos EUA, como Arábia Saudita, por exemplo, são em geral ignoradas pela mídia.

As turbulências políticas em vários países exportadores de petróleo, principalmente Irã e Venezuela, provocaram nos últimos dias uma alta importante no preço do barril de petróleo. A incerteza política na Venezuela e a retirada norte americana do acordo nuclear com o Irã, com as sanções econômicas subsequentes, fizeram subir o preço do petróleo bruto a cerca de 80 dólares o barril, o que não se via desde 2014.

Muitos analistas acreditam que o Governo dos EUA está preparando uma guerra de grande envergadura no Oriente Médio contra o Irã, com o apoio de Israel e Arábia Saudita.  Além do petróleo, tais analistas incluem, entre as motivações, o faturamento da indústria armamentista e a utilização de armas nucleares.

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, os EUA gastam em armamento 49 vezes mais do que o Irã. A Arábia Saudita gasta em defesa 5 vezes mais e o pequeno Emirados Árabes Unidos, duas vezes mais. Por outro lado, estima-se que o Irã tenha o maior inventário de mísseis balísticos e capacidade de causar perdas severas às tropas americanas já no início do confronto, para jogar a opinião pública dos EUA contra a guerra.

Muitos oficiais americanos já se posicionaram contra uma guerra com o Irã. Apesar da superioridade militar americana, eles sabem que o confronto militar com o Irã levaria à morte de milhares de americanos. E ao isolamento total dos EUA em relação a seus parceiros principais na Europa.

Entretanto, Trump e seu Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, apoiam a guerra, que eles percebem como vídeo game, e não como um desastre que levará à morte de milhares de soldados e de civis. Segundo analistas militares, a melhor maneira de ganhar a guerra contra o Irã é não iniciá-la (The Huffington Post, 30/3/2018).  Resta convencer o presidente dos EUA.

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Poder-e-ContraPoder/Petroleo-e-a-politica-de-guerra-dos-EUA/55/40327

Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controvérsia e escreve semanalmente.

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