“Temer não cai porque um sindicato de ladrões o sustenta”, diz Boulos

Leonardo Sakamoto – ”A população está anestesiada”, afirma Jean Wyllys. ”É impressionante que o país tenha ido às ruas dizer que queria limpar o Brasil da corrupção e agora tenhamos uma quadrilha, uma facção de criminosos, comandando a República”.

O deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, ao lado do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e da jornalista Laura Capriglione, participaram de um bato-papo sobre a situação do governo Michel Temer e sobre a falta de um projeto da esquerda para o Brasil nesta nova edição do Havana Connection. O programa, mediado por este que vos escreve, foi transmitido ao vivo, na sexta (28), e pode ser assistido em vídeo ao final deste post.

Nesta semana, o plenário da Câmara dos Deputados analisará a admissibilidade da denúncia por corrupção passiva contra Temer, feita pela Procuradoria-Geral da República, que levaria ao seu afastamento para que se torne réu no Supremo Tribunal Federal. Após liberar centenas de milhões de reais em emendas parlamentares e negociar cargos, o governo conseguiu uma vitória sobre o tema na Comissão de Constituição e Justiça. Nas últimas semanas, Temer recebeu deputados para pedir apoio. São necessários 342 votos para que a denúncia seja admitida.

Mesmo que essa seja negada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar outra, agora por obstrução de Justiça.

Assista à integra do bate-papo no Havana Connection:

https://tv.uol/16JCp

De acordo com o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, criou-se um abismo entre o governo Temer e a maioria do Congresso Nacional e o conjunto da sociedade brasileira, que tem rejeitado suas reformas e propostas, como as mudanças nas aposentadorias, e demonstrado sua insatisfação com índices de aprovação de 5% ou menos.

”Num momento de crise institucional brutal, com a Nova República falindo, e a esquerda com seus impasses, o sentimento de insatisfação e indignação acaba sendo canalizado para a abstenção – ou seja, não adianta nada, tô fora – ou para a antipolítica de terno ou de farda”, diz Boulos.

A jornalista Laura Capriglione afirma que o país não previu que Michel Temer fosse se agarrar tanto ao cargo. ”A gente não imaginou que Temer fosse lutar da maneira aguerrida que ele tem lutado para permanecer. Comprar deputados, na cara dura, à luz do dia, precisa ter coragem”, diz.

”Ou precedente”, completa Jean. ”Se a Lava Jato cometeu tantas arbitrariedades, se ela atropelou o tempo das garantias jurídicas e isso foi aplaudido em nome do combate à corrupção, se foi esgarçada a presunção da inocência de tal maneira, houve um precedente para que agora cheguemos a esse ponto.”

Na opinião de Guilherme Boulos, ”Temer não cai porque tem um sindicato de ladrões que o sustenta e não ha um nível de mobilização suficiente para derrubá-lo, a ele e a o sindicato de ladrões”. Para ele, a insatisfação não se traduziu em mobilização.

E isso apesar da rejeição às medidas tomadas pelo governo. Na opinião de Laura Capriglione, ”apesar da Reforma da Previdência estar empacada, Temer entregou o que nem o Fernando Henrique entregou em termos de desmonte” do Estado social.

Para Jean, é inadmissível que alguém acusado de crime comum, desconstruído dessa maneira, se mantenha na Presidência ”comprando deputados”. E completa: ”Não estamos em uma democracia, definitivamente”.

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