Lúcia Guimarães – A nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada na última quarta-feira, 18, é um desafio para aqueles que gostam de ver o copo meio cheio. Sim, o número de leitores no Brasil aumentou desde 2011. Eles passaram de 50% a 56%. Mas, quando se considera que 44% dos habitantes da oitava economia do mundo não leem regularmente, em pleno século 21, e que 30% nunca adquiriram um livro, é difícil encontrar causa para celebração.
Uma pesquisa divulgada em outubro passado pelo Pew Research Center revelou que sete em dez norte-americanos leram um livro – concluindo ou não, durante o ano anterior. A média de leitura na população geral do país é de doze livros por ano. Mas o livro eletrônico não parece estar criando novos leitores, as vendas de livros digitais estão desacelerando nos Estados Unidos, enquanto as vendas de livros impressos continuam sólidas.
Com o começo próximo do verão no hemisfério norte, a mídia norte-americana divulga inúmeras listas de livros para se ler nas férias, dos romances leves para consumir na praia a livros de não ficção. É um típico exemplo cultural da leitura associada ao lazer. Celebridades como Bill Gates são ouvidas. Na lista de cinco que Gates ofereceu este ano, há apenas um romance, Seveneves, de Neal Stephenson, uma história de ficção científica.
A cultura importa, e sabemos que bons exemplos também. Tivemos um presidente intelectual, seguido de um presidente que confessou não ter a menor paciência para ler e uma presidente que, em campanha, lutou para se lembrar do que estava lendo. O presidente intelectual não inspirou, que se saiba, os brasileiros a ler mais, e antes que o acusem de descaso, é importante saber que o hábito de leitura não se adquire imitando chefes de Estado, e sim quem governa a vida do futuro leitor.
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