Sauditas no Conselho de Proteção às Mulheres. Acredite se quiser

Luiz Eça – 141º lugar foi a co­lo­cação da Arábia Sau­dita, em re­la­tório do Global Gender Gap que, em 2016, ava­liou os di­reitos das mu­lheres em 144 países. Os sau­ditas só ga­nharam do Pa­quistão, Síria e Iêmen.

Esse re­sul­tado não im­pres­si­onou as 54 na­ções do Con­selho Econô­mico e So­cial da ONU.

Para o UN Watch, que mo­ni­tora as ações da ONU, ao menos 15 países que pro­movem a igual­dade dos sexos vo­taram a favor do reino de Riad.

Antes de dar a sua opi­nião, co­nheça agora al­gumas res­tri­ções que as mu­lheres so­frem no país.

Até de­zembro de 2015, elas não po­diam votar nem ser vo­tadas. Nessa data, pas­saram a gozar desse di­reito, mas so­mente nas elei­ções mu­ni­ci­pais. Ali po­de­riam es­co­lher seu can­di­dato numa re­lação pre­vi­a­mente apro­vada pelas au­to­ri­dades reais.

De­pois de 2013, caso so­fressem agres­sões ou abusos se­xuais, as sau­ditas pas­saram a ter di­reito de re­correr à jus­tiça. Quando, even­tu­al­mente, seus agres­sores po­de­riam ser con­de­nados. Mas não à prisão, o pa­ga­mento de uma quantia em di­nheiro cos­tuma ser su­fi­ci­ente.

Ge­ral­mente, há a pre­sunção de que a mu­lher foi res­pon­sável pela bru­ta­li­dade, ao tentar o homem ou tomar al­guma ati­tude re­pro­vável contra ele.

No país dos pe­tro­dó­lares, os ho­mens nunca falam que mu­lher são sabe di­rigir. E não é por ci­vi­li­dade, já que, por lei, elas não têm esse di­reito.

Vi­ajar, so­mente acom­pa­nhadas por algum membro da fa­mília – ma­rido, pai ou irmão. Ou se tiver au­to­ri­zação por es­crito do seu ma­rido.

Biquínis são con­si­de­rados aten­tados à moral. Uma in­de­cência. Além deles, saias curtas, vestes sem manga – forget it! Nas pe­quenas lo­ca­li­dades, é re­co­men­dável usar uma burka, “ves­tido” que cobre a mu­lher dos pés à ca­beça. Com o con­forto de ori­fí­cios para en­xer­garem. Es­tranho pensar o que elas fazem para se ali­mentar.

Con­versar com um homem é tabu para as mu­lheres do reino, em qual­quer lugar pú­blico. Ou mesmo num carro ou loja ou res­tau­rante ou… Agora, tudo bem se o papo for com um membro da fa­mília.

Sair à rua so­zinha também não é um di­reito es­ten­dido às se­nhoras e se­nho­ritas sau­ditas. Como sempre, tendo a com­pa­nhia do ma­rido, pai ou irmão, nada a opor.

En­trar num ce­mi­tério, só dentro de um caixão. Fora dessa si­tu­ação, as mu­lheres são proi­bidas de en­trar em ce­mi­té­rios. Por­tanto, se es­ti­verem num cor­tejo fu­ne­rário, não po­derão passar do portão de en­trada.

Até os Jogos Olím­picos de Lon­dres, não po­deria haver mu­lheres sau­ditas entre os par­ti­ci­pantes. A partir desse evento, a proi­bição foi re­mo­vida, desde que a com­pe­tição seja no ex­te­rior. Evi­den­te­mente, as atletas são obri­gadas a estar de­vi­da­mente co­bertas do pes­coço aos pés. Agora, dis­putar qual­quer mo­da­li­dade es­por­tiva no in­te­rior do reino, isso ja­mais – é to­tal­mente proi­bido.

Se numa pis­cina par­ti­cular ou pú­blica, houver ho­mens na­dando, a lei diz que as sau­ditas têm de passar ao largo. Se quem es­tiver na pis­cina for uma mu­lher, não está claro se um homem que chega deve re­tirar-se ou se é ela quem terá de sair.

Con­sultar um mé­dico so­zinha, nem pensar. Se o ma­rido, irmão ou pai não puder acom­panhá-la, me­lhor tomar re­mé­dios ca­seiros. Claro, numa emer­gência, por exemplo, perna fra­tu­rada ou ataque car­díaco, a lei ad­mite uma ex­ceção: caso um membro da fa­mília não es­teja dis­po­nível, a mu­lher tem di­reito de pro­curar aten­di­mento mé­dico so­zinha.

Fi­nal­mente, com­prar uma Barbie para a filha não é pos­sível. A lei sau­dita baniu essa bo­neca do país, por sua “con­duta” imoral.  Ela tem na­mo­rado, roupas in­de­centes – enfim, é uma in­fluência ma­lé­fica para as ino­centes me­ninas sau­ditas.

Como se vê, Arábia Sau­dita membro de um con­selho de­di­cado à de­fesa dos di­reitos fe­mi­ninos é uma ironia cruel.

Como disse Hillel Neuer, di­retor da UN Watch: “seria o mesmo que no­mear um in­cen­diário para chefe dos bom­beiros”.

Eleger a Arábia Sau­dita para um con­selho de­di­cado à pro­moção dos di­reitos fe­mi­ninos só mesmo por ra­zões po­lí­ticas ou fi­nan­ceiras.

Há Es­tados que fazem questão da ami­zade sau­dita e ou­tros que de­pendem do di­nheiro de Riad para en­cher suas car­teiras es­va­zi­adas.

http://correiocidadania.com.br/2-uncategorised/12541-sauditas-no-conselho-de-protecao-as-mulheres-acredite-se-quiser

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