Direita avança na Europa: as forças mais populares

PASCAL GUYOT – A Sputnik lista os principais partidos de direita em diferentes países europeus que podem participar na resolução dos problemas comuns de toda a Europa.

A situação na Europa se agrava cada vez mais. O problema dos refugiados e imigrantes que chegam à Europa e que se envolvem em crimes ainda não está resolvido. A imigração ilegal tem atingido uma escala sem precedentes, vários países europeus restauraram os controlos fronteiriços. Segundo a Frontex, a agência europeia de fronteiras, em 2015 mais de 1,2 milhões de refugiados e imigrantes chegaram à União Europeia. A Comissão Europeia chamou a crise atual da “mais grave desde a Segunda Guerra Mundial”. Nestas condições o palco político europeu é invadido por partidos de direita, que se propõem resolver o problema dos imigrantes à sua maneira. A Sputnik publica uma listagem dos principais partidos de direita europeus para entender qual a sua popularidade em diferentes países da Europa.

Suécia

Ponte de Oresund, ligando a Suécia à Dinamarca

O Partido dos Democratas Suecos é uma força conservadora de direita que se considera a si próprio “o único partido oposicionista da Suécia”. Foi fundado por representantes dos movimentos radicais de direita e nacionalistas. A sua política se tornou gradualmente mais moderada mas as suas ligações com os neonazis ainda se refletem sobre a sua imagem. Nas eleições de 2014, o partido obteve 12,9% dos votos e, em dezembro de 2015, a percentagem de suecos que apoiam o partido cresceu até 17-27%, segundo várias sondagens. O indicador médio é de 21,3%, segundo o site Status.st. Agora o partido tem 49 dos 349 assentos no Parlamento sueco e dois no Parlamento Europeu mas não está representado no governo do país.

Desde o início da crise migratória, o apoio aos Democratas Suecos aumentou 3,9%. Segundo o jornal norueguês Aftenposten, o aumento foi de 4,7%.

Ao mesmo tempo, o indicador de confiança no líder do partido, Jimmie Akesson, é o mesmo que o do primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven. Os outros partidos do Parlamento se recusam a cooperar com os Democratas Suecos, considerando a sua política como racista. O líder do partido é o único que nunca é convidado para a cerimônia de entrega de prémio Nobel.

Noruega

O Partido do Progresso é um partido liberal-conservador que defende a limitação da imigração no país. Recentemente, a sua popularidade cresceu 4,5%, segundo o jornal Aftenposten. Em resultado de eleições de 2013, possui 29 dos 169 assentos no parlamento norueguês.

Um porco presencia uma feira agrícola nos EUA, em 2009. Foto de arquivo

Segundo os dados do Poll of Polls, a popularidade do partido cresceu 1,2% em comparação com novembro e 5% — com Outubro, obtendo mais 140 mil simpatizantes em apenas dois meses.

Finlândia

O Partido dos Finlandeses promove uma política de direita e, em 2015, foi a segunda força mais votada para o Parlamento. O líder do partido, Timo Soini, obteve o cargo do chanceler do país. No entanto, o apoio do partido está se reduzindo drasticamente. Em abril, a popularidade do Partido dos Finlandeses era de 17,7% mas em novembro baixou para 9,8%.

Muitos habitantes do país estão descontentes com a política migratória da Finlândia devido à situação grave no mercado de trabalho e aos cortes no Orçamento.

Dinamarca

O Partido Popular Dinamarquês foi fundado em 1995. O seu líder é Kristian Thulesen Dahl. O partido possui 37 dos 179 assentos no Parlamento e é o segundo maior partido do Parlamento. Entretanto, voluntariamente não participam no governo porque querem desempenhar o papel de contrapeso na política do país. Tem quatro assentos no Parlamento Europeu.

O partido promoveu por muito tempo a ideia de introduzir o controle de passaportes na fronteira. Segundo o Aftenposten, o apoio do partido cresceu 2,3% entre junho e dezembro de 2015, atingindo 21,4%.

República Tcheca

Segundo uma sondagem realizada pelo Centro de Pesquisa da Opinião Pública (CVVM), a atitude dos tchecos em relação aos partidos de direita mudou ao longo de 2015.

O Partido Hnuti ANO perdeu apoio entre os eleitores, passando de 20,5% para 18,5%. O partido TOP 09, pelo contrário, viu aumentar o seu apoio – a sua popularidade cresceu de 4% para 5%. O Partido Democrático Civil também se tornou mais popular, o seu indicador de popularidade cresceu de 4,5% para 6%.

Ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni

Quanto aos partidos de extrema-direita, Partido Trabalhista da Justiça Social, Democracia Nacional,Não Queremos Islã na República Tcheca, todos eles aumentaram o número de ações realizadas, de 7 para 44. A sua popularidade nas redes sociais também está aumentando. Por exemplo, o número de leitores da página do Não Queremos Islã na República Tcheca aumentou entre dezembro de 2014 e outubro de 2015 de 110 mil para 160 mil.Itália

A Liga do Norte é o maior partido oposicionista do país. Segundo os dados do Ministério dos Assuntos Internos italiano, o seu apoio cresceu de 6,2%, nas eleições para o Parlamento Europeu em maio, para 16,4% em setembro e depois baixou um pouco para 15,5% em dezembro. O líder do partido, Matteo Salvini, é um dos políticos mais populares da Itália, cedendo somente ao primeiro-ministro do país, Matteo Renzi.

França
Marine Le Pen

A Frente Nacional, partido de direita francês, liderado por Marine Le Pen, ainda não conseguiu assumir o controle de nenhum conselho regional. Apesar disso, em números absolutos a Frente Nacional é o partido mais popular da França. No primeiro turno das últimas eleições regionais, o partido obteve uma vitória histórica, vencendo em 6 das 13 regiões do país. Em resultado destas eleições, o partido conseguiu colocar nos conselhos regionais mais candidatos do que o Partido Socialista que está no poder – 358 contra 355.Reino Unido

O Partido de Independência do Reino Unido foi criado em 1993. O seu líder é Nigel Farage. É o maior partido britânico no Parlamento Europeu, com 22 assentos. Nas eleições parlamentares de 2015, o Partido obteve o terceiro lugar e um assento na Câmara dos Comuns (câmara baixa do Parlamento britânico). O partido exerce influência sobre a política britânica em geral, e especialmente sobre a posição do governo conservador na questão da imigração e integração europeia do país. O partido defende a saída do Reino Unido da União Europeia e o restabelecimento do controle sobre as suas fronteiras. Por isso, a sua popularidade cresce de forma rápida.

http://br.sputniknews.com/mundo/20160117/3320117/direita-Europa-partidos-migrantes.html

Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controvérsia e escreve semanalmente.

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