A saída do Brasil do Pacto de Migração Global Segura, Ordenada e Regular da ONU: mais um possível desastre na política internacional brasileira

Denise Argemi – É assustador ver o Brasil retroceder e perder seu espaço de conciliador e de prestígio nas relações internacionais.

Nas últimas décadas o Brasil deu uma “virada” e passou a ser referência nas Relações Internacionais, buscando e obtendo lugar de distinção no cenário mundial, inclusive dentro da ONU.

Além disso, vinha promovendo e garantindo a manutenção das nossas riquezas “naturais”, como a exploração do pré-sal, pelos brasileiros.

O Desgoverno Temer, que precedeu a este que ora se instala, congelou recursos destinados à educação (que é a base do desenvolvimento de uma nação) e à saúde por 20 anos. O pré-sal, cujo bom percentual advindo da exploração “brasileira” seria destinado à educação brasileira não virá mais para esta pasta. A educação foi completamente aniquilada pelo congelamento da dotação orçamentária por duas décadas, restando ainda sem recursos para incrementá-la no país. A quem serve um país de ignorantes e pobres?

Não bastasse a entrega e o controle das nossas riquezas pelo malfadado Temer ao estrangeiro, o novo governo bate continência aos americanos e anuncia mais uma série de medidas desastradas na nossa política internacional.

Até então, éramos considerados uma nação neutra, sem “anúncios” de instalação de bases americanas, soviéticas ou pós-soviéticas. E sempre mantivemos boas relações com as grandes potências. Por outro lado, ninguém ignora que os gigantes das políticas internacionais buscam criar regras de conduta com a clara tentativa de impô-las aos demais países, inclusive a nós. Esta é uma questão de poder e de hegemonia deles, não é e nunca foi nossa, dos brasileiros.

Não nos interessa a guerra. Não nos interessa instalar bases militares de quem quer que seja. Nos interessa a paz, a extração das nossas riquezas por nós próprios, o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil, a educação, a especialização, o trabalho digno e de excelência dos brasileiros para que tenham uma vida melhor e mais próspera.

A decisão do novo Chanceler brasileiro Ernesto Araújo consistente na retira do Brasil do Pacto Global de Migração Segura e Ordenada da ONU, noticiada pela televisão, é um descalabro. Todos sabemos que  temos mais brasileiros e brasileiras espalhados pelo mundo do que estrangeiros residentes no Brasil. Nós temos milhares de brasileiros que vivem no exterior: estudando, trabalhando e residindo nos Estados Unidos, na Europa e no mundo todo. A questão da migração É sim uma questão global. E nós, como brasileiros, temos o dever e o direito de garantir que também os brasileiros que vivem no estrangeiro sejam protegidos pela legislação internacional de forma igualitária a outros países.

É assustador ver o Brasil retroceder e perder seu espaço de conciliador e de prestígio nas relações internacionais, principalmente naquelas áreas onde o que importa é o ser humano, como nas políticas ambientais, geopolíticas e nas migrações.

Estamos presenciando, incrédulos e atônitos, o desmonte de tantas conquistas brasileiras também na política internacional.

O Brasil tem que perder este complexo de “vira-latas”, de país submisso às grandes potências. O Brasil tem que parar de emitir atestados delirantes sobre a história brasileira e mundial.

Há muito o Brasil deixou de ser um país de pouca importância para a comunidade internacional. O Brasil não é mais um país criança ou um país adolescente. O Brasil é um país adulto: com muitos recursos, muitas riquezas naturais e um povo sedento por educação, trabalho digno, prosperidade e dias melhores. E isto jamais será possível se agir como um menino turrão que faltou a algumas aulas importantes na escola elementar.

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